Rodadas de negócios ganham força como atalho para internacionalização do setor pet
Commpazz destaca contato direto e exclusivo com compradores do exterior
por Marcia Arbache em
Em um cenário cada vez mais competitivo e globalizado, as rodadas de negócios têm se consolidado como uma das principais estratégias para empresas do setor pet acessarem o mercado internacional.
Para Luiz Paulo Almeida, sócio da Commpazz, o formato oferece algo que as feiras tradicionais nem sempre conseguem garantir – contato direto, qualificado e exclusivo com compradores internacionais. Segundo ele, 2026 será um ano recorde para a empresa em número de ações organizadas. Já estão confirmadas seis rodadas de negócios, realizadas em paralelo a grandes feiras do setor no Brasil e no Exterior.
Entre os destinos estão Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia (abril); Nuremberg, na Alemanha (durante a Interzoo, em maio), São Paulo, em parceria com a ApexBrasil, em agosto; e Bangkok, na Tailândia, em outubro.
A expectativa é disponibilizar cerca de 100 vagas para expositores nas rodadas já confirmadas, com foco na diversidade de países compradores participantes. “Não buscamos apenas volume de um mesmo país, mas variedade. Queremos ter representantes da Colômbia, Chile, Uruguai, Europa, Ásia. Quanto maior essa abrangência, maior o potencial de aprendizado e de negócios”, afirma Almeida.
Encontro direcionado com compradores
Para o executivo, participar de uma feira internacional é importante, mas não substitui a dinâmica de uma rodada de negócios. Ele compara a experiência à operação de uma loja em shopping center. “Milhares de pessoas passam pela vitrine, algumas entram, poucas conversam com o vendedor e apenas uma parte efetivamente compra’’, resume.
Outro diferencial é a garantia de acesso a compradores estrangeiros. Em uma feira realizada no Brasil, por exemplo, não há certeza de que o expositor receberá visitantes internacionais em seu estande. Já nas rodadas, os compradores são selecionados e confirmados previamente, o que aumenta a previsibilidade e a eficiência do investimento. “Na rodada, o empresário está frente a frente com o potencial cliente. A taxa de conversão é muito maior”, explica.
Custo diluído e acesso a múltiplos mercados
Além do ganho estratégico, Almeida destaca o custo-benefício como um dos principais atrativos. Em edições anteriores da rodada realizada em São Paulo, empresas não expositoras pagaram cerca de R$ 12 mil para participar, o dobro do custo cobrado a expositores da feira, que se beneficiaram de descontos.
No último ano, participaram compradores de oito países diferentes. As despesas com passagem, hospedagem, alimentação e gastos fora do ambiente de negócios ficaram bem abaixo do que a empresa gastaria em viagens internacionais. “Se fosse visitar esses oito mercados individualmente, o empresário teria que dispor de um investimento próximo a R$ 50 mil ou R$ 60 mil’’, argumenta.
Informações estratégicas reduzem riscos de operações
O modelo permite ainda que uma mesma empresa participe de várias rodadas ao longo do ano, de acordo com sua estratégia de expansão e foco geográfico. Para Almeida, porém, o maior ganho nem sempre está no fechamento imediato de contratos, mas no acesso acelerado a informações estratégicas.
Essa troca direta permite ajustes em embalagem, rotulagem, certificações e posicionamento, reduzindo riscos antes de um investimento maior em exportação. “Um comprador da Grécia pode informar que, em seu país, a embalagem ideal de areia para gatos é de 6 kg. Já um distribuidor da Dinamarca pode demandar embalagens de 2 kg. A empresa sai da rodada com uma leitura clara das exigências de cada mercado. É um aprendizado rápido e valioso’’, ressalta.
Europa e Ásia no radar
Almeida destaca a rodada que será realizada durante a Interzoo, na Alemanha, uma das maiores feiras pet do mundo. Segundo ele, o mercado europeu tende a ser mais desafiador, tanto pela concorrência quanto pelas exigências regulatórias. A Ásia também está no radar, com a previsão de uma rodada em Bangkok. “Para empresas que buscam exportar, a mensagem é clara: mais do que estar presente em feiras, é preciso sentar à mesa com quem realmente decide a compra”, conclui.