Seguro pet vira nova fronteira de crescimento
Grandes grupos aceleram apostas no segmento e reforçam potencial de monetização em um mercado impulsionado pela humanização dos animais
O avanço do mercado pet no Brasil começa a atrair um novo perfil de competidores. Grandes seguradoras e plataformas digitais estão ampliando sua atuação no segmento, de olho em um consumidor mais disposto a investir na saúde e no bem-estar dos animais.
A recente movimentação da Mapfre e a entrada da Shopee no mercado de assistência veterinária sinalizam uma inflexão relevante. O seguro pet deixa de ser um nicho e passa a ocupar espaço estratégico nas carteiras de produtos.
Historicamente associado à proteção contra eventos inesperados, esse produto passa por uma mudança estrutural. A proposta agora é integrá-lo à rotina do consumidor, com ofertas que vão além da indenização e incluem serviços recorrentes.
Do sinistro ao serviço recorrente
A Mapfre estruturou o Meu Pet justamente com essa lógica. O seguro reúne telemedicina veterinária, consultas presenciais, exames e vacinação, além de serviços logísticos e suporte em situações críticas. “Identificamos a necessidade de contemplar a assistência tanto para situações de rotina como para emergências, facilitando a organização das despesas familiares”, explica Andréa Nogueira, diretora de Seguros Massificados. A operação conta com rede credenciada nacional e canais dedicados de atendimento.
A entrada da Shopee, com planos a partir de R$ 15,90 mensais, amplia essa lógica ao transformar despesas pontuais em custos previsíveis. “Integrar um serviço de assistência pet significa oferecer uma solução complementar, alinhada ao que o consumidor busca, com conveniência e acesso em um ambiente que ele já conhece”, afirma Felipe Piringer, CMO da companhia.
A iniciativa, desenvolvida em parceria com a 123Seguro e a Meu Pet Club, permite que tutores contratem planos diretamente na plataforma, ampliando o acesso a cuidados e serviços para cães e gatos.
Mercado em expansão acelerada
Os fundamentos de crescimento são robustos. O mercado global de cuidados com animais de estimação deve praticamente dobrar de tamanho até 2035, saltando de US$ 243,5 bilhões (R$ 1,22 trilhão) em 2025 para US$ 483,5 bilhões (R$ 2,42 tri), segundo a Future Market Insights. A taxa média de crescimento anual projetada é de 7,1%.
A principal alavanca desse avanço é a humanização dos pets, tendência que também aparece no discurso das empresas. “Existe uma transformação na relação do consumidor com o seguro, que deixa de ser acionado apenas em momentos críticos para fazer parte da rotina das pessoas”, observa Andréa Nogueira.
Esse novo comportamento impulsiona a demanda por produtos e serviços mais sofisticados, como nutrição premium, medicina preventiva e soluções voltadas à longevidade. Ao mesmo tempo, fortalece a busca por ferramentas que tragam previsibilidade financeira.
Mesmo diante de pressões inflacionárias globais, o setor demonstra resiliência. Nos Estados Unidos, os gastos com cuidados para pets totalizaram US$ 157 bilhões (R$ 785 bi) no ano passado, evidenciando a disposição dos consumidores em priorizar esse tipo de despesa.