Indústria de alimentos pet projeta crescimento moderado em 2026
Pesquisa da Petfood Industry indica avanço contido, com foco em inovação, marketing e adaptação ao consumidor
por Juliana de Caprio em
A indústria global de alimentos para animais de estimação inicia 2026 com expectativas de crescimento moderado e postura cautelosa. É o que aponta uma pesquisa da Petfood Industry com profissionais do setor, que revela um cenário de ajustes estratégicos, investimentos seletivos e forte aposta em inovação e marketing diante de um consumidor cada vez mais imprevisível.
Segundo o levantamento, 33% dos entrevistados acreditam que o setor deve registrar crescimento modesto ao longo do ano, acompanhado por algum nível de consolidação. Outros 28% projetam desempenho estável, semelhante ao observado em 2025. Apenas 17% esperam crescimento forte e disseminado, enquanto 22% antecipam retração leve ou desafios relevantes.
O resultado indica que 2026 tende a ser marcado por estabilidade e decisões mais criteriosas, com menor espaço para expansões aceleradas e maior foco em competitividade.
Expectativas de receita reforçam cautela
As projeções de faturamento refletem esse otimismo contido. Cerca de um terço dos profissionais (33%) espera crescimento entre 1% e 5% em 2026. Outros 22% projetam avanço de 6% a 10%, enquanto 26% estimam expansão superior a 10%. Por outro lado, 20% dos entrevistados preveem estagnação ou queda nas receitas.
Embora quase 70% projetem algum nível de crescimento, a concentração nas faixas mais baixas evidencia a atenção do setor às incertezas econômicas e às mudanças no comportamento de compra dos tutores.
Inovação e marketing lideram investimentos
Os planos de investimento para 2026 mostram prioridades bem definidas. Inovação e desenvolvimento de novos produtos lideram, citados por 39% das empresas, percentual idêntico ao destinado a marketing e fortalecimento de marcas. Pesquisa e desenvolvimento (P&D) aparece com 9%, enquanto infraestrutura, contratações e cadeia de suprimentos ficaram em torno de 4% cada.
O movimento indica uma estratégia voltada principalmente ao consumidor final, com foco em diferenciação, posicionamento de marca e ganho de participação de mercado, em vez de grandes aportes estruturais.
Ingredientes funcionais dominam tendências
Entre as principais tendências para 2026, os ingredientes funcionais com benefícios específicos à saúde se destacam com folga. 50% dos entrevistados apontaram esse fator como o de maior impacto. Dietas frescas, cruas ou minimamente processadas e soluções de alimentação personalizada aparecem empatadas, com 22% das respostas cada.
Transparência e rastreabilidade de ingredientes foram mencionados por apenas 6%. Sustentabilidade e proteínas alternativas não receberam indicações, sugerindo que, no curto prazo, o foco do setor está mais ligado à performance nutricional do que a atributos ambientais.
Comportamento do consumidor é o principal desafio
O maior desafio apontado para 2026 é a volatilidade do consumidor, citada por 39% dos respondentes. Tarifas e políticas de comércio internacional, custos e disponibilidade de matérias-primas e mão de obra aparecem empatados, com 17% cada.
Mudanças regulatórias e adoção de inteligência artificial foram mencionadas por cerca de 6%, indicando que ainda não figuram entre as principais preocupações imediatas.
Os dados revelam um setor preparado para crescer de forma gradual, atento às oscilações do consumo e disposto a investir em inovação e marca para sustentar competitividade em um mercado cada vez mais disputado.