Paraná consolida-se como polo estratégico do mercado pet
Estado combina base agroindustrial, consumo e novos investimentos
por Juliana de Caprio em
O Paraná vem se consolidando como um dos principais polos do mercado pet no Brasil, impulsionado pela combinação entre base agroindustrial, crescimento do consumo e atração de investimentos. O avanço acompanha a expansão nacional do setor, que segue sustentado pelo aumento da população de animais de estimação e pela diversificação de produtos e serviços.
No país, o segmento de alimentação animal lidera o faturamento, com R$ 40,82 bilhões, o equivalente a 52,9% do mercado, segundo a Abempet. Na sequência aparecem a venda de animais, produtos veterinários e serviços, evidenciando a amplitude da cadeia. O ambiente digital também ganha relevância, com pet shops online concentrando 37,3% das vendas no e-commerce.
Base de consumo e força agroindustrial
O Paraná reúne cerca de 6% da população pet brasileira, com mais de 9 milhões de animais. O estado ocupa a quinta posição no ranking nacional e se destaca pela diversidade, com presença significativa de aves ornamentais, além de cães e gatos.
Ao todo, são cerca de 3,5 milhões de cães, 1,7 milhão de gatos e 3,3 milhões de aves, além de peixes ornamentais. A estrutura de atendimento acompanha essa demanda, com mais de 3 mil pontos de venda de ração e acessórios e cerca de 350 clínicas e hospitais veterinários.
A base agroindustrial é um dos principais diferenciais competitivos do estado. A ampla oferta de insumos, como milho e proteína animal, aliada à infraestrutura logística, favorece a instalação de indústrias de pet food.
Atualmente, o Paraná produz cerca de 300 mil toneladas de ração por ano, o que representa aproximadamente 7% da produção nacional. A expectativa é de crescimento acelerado, impulsionado pela expansão da capacidade instalada.
Segundo Eduardo Bekin, presidente da Invest Paraná, a consolidação do estado no setor é resultado de múltiplos fatores. “A soma de logística, infraestrutura, segurança fiscal e programas de incentivo torna o Paraná um polo para o mercado pet, que cresce exponencialmente”, afirma.
Investimentos reforçam protagonismo
Nos últimos anos, o estado tem atraído aportes relevantes. Um dos principais marcos foi a instalação de uma planta da PremieRpet em Porto Amazonas, com investimento de R$ 1,1 bilhão e capacidade superior a 600 mil toneladas por ano.
Outro movimento foi a chegada da Mars, que inaugurou em 2025 uma unidade em Ponta Grossa com investimento de R$ 430 milhões. A operação fortalece a cadeia produtiva local e gera empregos diretos e indiretos.
Além disso, novos projetos industriais, como o investimento de R$ 178 milhões em Campo Mourão, ampliam a capacidade produtiva e reforçam a verticalização da cadeia, agregando valor à produção agrícola.
Efeito cascata e expansão da cadeia
O avanço industrial tem gerado um efeito multiplicador na economia regional. “A chegada de grandes indústrias estimula fornecedores, serviços e novos negócios, fortalecendo toda a cadeia produtiva”, afirma Bekin.
Hoje o Paraná já conta com mais de dez fábricas de grande porte no segmento, além de diversas pequenas e médias unidades, consolidando sua posição estratégica no mercado pet. Com uma base sólida de consumidores, integração com o agronegócio e investimentos contínuos, o estado se posiciona como protagonista no setor, com perspectiva de crescimento sustentado nos próximos anos.