Commpazz e Apex divulgam calendário para impulsionar exportações pet
Parceria já impactou mais de 100 empresas em feiras setoriais ao redor do mundo
Vladimir Ribeiro, especial para o Panorama Pet&Vet
Para fomentar exportações no mercado pet brasileiro, a consultoria Commpazz e a ApexBrasil anunciaram um calendário estratégico de eventos para que empresários possam inserir suas empresas no mercado internacional. O objetivo é garantir que a presença seja traduzida em geração de negócios e não apenas em exposição de marca.
Essa iniciativa teve início em 2024 com a proposta de convidar e apoiar empresas interessadas em dar os primeiros passos no mercado internacional por meio do Programa +Feiras da ApexBrasil. No ano passado, a união resultou no primeiro evento próprio – a Commpazz World Pet Summit (CWPS), realizado em novembro na capital paulista.
“Foi uma ótima oportunidade para compartilhar informações práticas sobre os principais eventos internacionais do setor previstos para o primeiro semestre de 2026”, explica o diretor de marketing e um dos sócios da Commpazz, Luiz Paulo Almeida.
Eventos em grandes centros de decisão global
Neste ano, Commpazz e Apex vão participar da ASD Market Week, que ocorrerá de 17 a 19 de março, em Las Vegas (EUA), com inscrições até 16 de janeiro; Interzoo, de 12 a 15 de maio, em Nuremberg (Alemanha), cujo credenciamento estará aberto até 12 de março); a CWPS, em julho deste ano, em São Paulo (SP); e a Exporta Mais, programada para agosto em local a ser confirmado.
De acordo com Almeida, as feiras setoriais estão concentradas em grandes centros de decisão global e são eventos de referência mundial em setores como agronegócio, alimentos processados, design/móveis e tecnologia industrial.
Além disso, são mercados-alvo estratégicos, no qual há demanda reprimida por produtos brasileiros de valor agregado. “Os pavilhões de networking facilitam o acesso direto de pequenas e médias empresas a grandes distribuidores internacionais”, salienta.
A Commpazz também aposta em outras ações que podem trazer resultados positivos para os empresários, como a Rodada de Negócios PET South America 2026, que acontecerá na capital paulista entre 12 e 14 de agosto. Este é o principal encontro de negócios do setor na América Latina, sendo que o foco é trazer missões de compradores internacionais para rodadas de negócios presenciais com expositores brasileiros.
Haverá ainda a Global Pet Expo 2026, a principal vitrine para o mercado de consumo dos Estados Unidos. O evento será promovido de 25 a 27 de março no Orange County Convention Center, em Orlando (EUA). Nesta feira, a participação é focada em empresas brasileiras que já detêm um nível de maturidade alto e produtos com diferenciais competitivos para o varejo norte-americano, especialmente nas categorias de Natural Treats, acessórios de luxo e tecnologia.
Orientação a potenciais exportadores
Mais de 100 empresas já foram impactadas pelas feiras e rodadas de negócios promovidas a partir da cooperação entre Commpazz e Apex. Entre as ações estão a orientação empresarial, redução de custos por meio de pavilhões coletivos, agendamento antecipado de reuniões com compradores internacionais durante a feira, além de dicas práticas sobre envio de amostras, montagem de estande, exposição de produtos e postura comercial.
A Commpazz ainda pode ser uma parceira estratégica, pois oferece os serviços aduaneiros para empresas que ainda não têm um departamento de exportação estruturado, dando mais agilidade ao processo
“Depois das feiras, o trabalho continua com acompanhamento e apoio no pós-evento. Os resultados já aparecem de forma bem concreta, a partir da geração de contatos qualificados, abertura de novos mercados, avanço em negociações e, em alguns casos, fechamento de contratos de exportação no médio prazo”, explica Almeida.
Exportações em alta
Estimativas da Abinpet apontam que as exportações brasileiras de produtos do setor fecharam 2025 com faturamento em torno de US$ 650 milhões (R$ 3,6 bilhões). No universo das pequenas e médias empresas, os números também impressionam. Entre janeiro e setembro, o volume comercializado por companhias apoiadas pelos projetos da ApexBrasil somou R$ 61,16 bilhões.
Para Anderson Dib, gestor de projetos setoriais da coordenação do Agronégócio I da ApexBrasil, essa fatia de mercado representa uma grande possibilidade de negócio para as PMEs, que podem ter vantagens por conta da agilidade em atender demandas. “A adaptação dos produtos, embalagens e processos é realizada com mais rapidez do que grandes grupos”, destaca.
Porém, é necessário levar em consideração questões como legalização de normas e certificações exigidas pelo país de destino, comprovação de qualidade e conformidade e capacidade produtiva. “A empresa precisa ter segurança de que consegue atender aos volumes acordados sem comprometer o mercado interno. A logística, o cumprimento das regras aduaneiras e o planejamento financeiro também precisam estar bem organizados, já que exportação envolve câmbio e prazos de pagamento mais longos”, alerta.
Principais mercados consumidores
Entre os principais mercados consumidores de produtos brasileiros estão Colômbia e Chile (líderes na América Latina), Uruguai, Bolívia, Paraguai, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Estados Unidos.
Segundo Eduardo Beraldin, CEO da Progato Granulados Higiênicos, cada um desses mercados tem sua característica própria que as empresas nacionais vêm conseguindo atender. “Além disso, temos visto um interesse crescente de países da Ásia e da Europa, especialmente por produtos sustentáveis e com certificações de origem. Esse movimento aponta para uma nova frente de crescimento do setor”, destaca.
Ele destaca que para entrar nessa fatia de mercado, o empresário deve estar disposto a investir cerca de R$ 100 mil, levando em consideração fatores como participação em feiras e eventos internacionais, assessoria, adaptações ao mercado internacional, entre outros. Já o retorno no faturamento, ele acredita que deve girar em torno de 10%.
Investir no mercado internacional exige mudança de cultura e adaptação da empresa e, de acordo com o CEO, faz com que a consultoria prestada por empresas como Commpazz e ApexBrasil sejam fundamentais. “Isso é imprescindível para quem deseja ter sucesso nessa fatia de mercado. Quem optar por caminhar sozinho, pode ter prejuízo. É o barato que sai caro”, alerta.
O Brasil tem ainda um longo caminho para investir na exportação de produtos pet, principalmente nos que estão inseridos no cotidiano dos animais de estimação. “Hoje, nossos principais produtos nessa seara são rações e petiscos, além de tapetes e granulados higiênicos. Outros itens, como derivados de plásticos podem encarar uma forte concorrência com a China”, explica.