Marcas próprias avançam em ritmo moderado no setor pet
Associativismo e seleção por perfil de varejista são estratégias para alavancar crescimento
por Marcia Arbache em
O avanço ainda modesto das marcas próprias no mercado pet, na casa de um dígito, pode estar ocultando uma oportunidade de crescimento para o setor. Inovação, confiança do consumidor e reorganização do varejo são os combustíveis que podem impulsionar esse movimento, na visão de especialistas e empresas que militam nessa categoria.
De acordo com Neide Montesano, presidente da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro), agrande fragmentação no mercado pet, com poucas grandes redes e muitas lojas pequenas, impede uma evolução mais robusta. Para ela, um salto relevante das marcas próprias dependerá da união dos estabelecimentos independentes emredes associativas. “Amarca própria precisa de escala, de volume e de massa crítica’’, avalia.
Fabricante tem 30 contratos de private label em carteira
Renato Branco é diretor comercial da Absortec, fabricante de tapetes higiênicos fundada em 2019. A empresa começou a operar com um plano de desenvolver suas próprias linhas, mas rapidamente passou a atender também uma demanda crescente por terceirização e produtos exclusivos para varejistas e distribuidores. ‘’Em 2020, período mais crítico da pandemia, tivemos um importante projeto com a indústria de bens de consumo Unilever, que na época estava lançando a linha Cafuné’’, relata. A marca, depois, foi descontinuada.
A Absortec, mais adiante, consolidou uma fatia importante do seu negócio na produção para terceiros. Hoje a empresa fabrica marcas próprias para redes como Cobasi e PetCamp, e outros clientes regionais no estado de São Paulo, com uma carteira de 20 a 30 contratos em private label. Entre a clientela tradicional estão varejistas, distribuidores e até indústrias que pretendem adicionar os tapetes higiênicos ao portfólio, mas sem planos de fabricá-los.
“Em itens como os que nós fabricamos, o volume é grande e exige espaço em gôndola. Outro fator decisivo para o sucesso da marca própria está no investimento mínimo necessário para viabilizar a produção. “O lojista precisa comprar um grande lote de embalagens para iniciar o projeto. Se a venda não acompanhar o ritmo, ele passa a carregar um estoque parado”, alerta.
Para o executivo, a marca própria também pode ser uma ferramenta de autonomia comercial a redes que desejam controlar melhor preço e margem, livre de pressões e negociações típicas com a indústria. “Ele quer ter uma marca exclusiva para evitar eventuais ingerências da indústria, no sentido de ajustar preços para cima ou para baixo”, explica.
Marcas próprias já representam 35% da operação da PetFit
Fabricante de acessórios e produtos de higiene animal, a PetFit atua com private label desde sua fundação, em 2016. O diretor geral Caio Perez explica que a companhia iniciou suas atividades com uma estratégia híbrida, combinando produtos de marca própria e desenvolvimento exclusivo para redes varejistas. O primeiro contrato foi firmado com o Grupo GPA.
“Começamos com acessórios e tapetes higiênicos e, ao mesmo tempo, já desenvolvendo produtos exclusivos para grandes clientes. Hoje, a marca própria representa cerca de 35% da nossa operação”, revela.
A PetFit fornece artigos para redes nacionais e internacionais, entre as quais as varejistas norte-americanas Walmart e Costco, nos Estados Unidos. O portfólio inclui tapetes higiênicos, granulados, toalhas umedecidas e alguns acessórios, como camas, comedouros, coleiras e brinquedos, que figuram entre os cerca de 450 SKUs do catálogo da categoria.
No geral, o tapete higiênico segue como principal produto da empresa, mas a linha de areia sanitária para gatos, lançada há cerca de dois anos, tem ganhado espaço e pode se tornar o carro-chefe nos próximos anos. “A população de gatos vem crescendo e os tutores costumam ter mais de um exemplar. A areia pode, no futuro, superar o tapete em relevância”, comenta.
A empresa trabalha com versões de bentonita de origem vulcânica, com carvão ativado ou bicarbonato, focadas em controle de odores e maior rendimento. “O principal feedback dos clientes é a economia. Um pacote de 4 kg pode durar até 45 dias em uma casa com dois gatos”, destaca. A rede Costco é um dos clientes private label de areia sanitária da PetFit no exterior.
Estratégia para consumidor fugir da guerra de preços
Na avaliação de Perez, o crescimento das marcas próprias no setor pet está diretamente ligado à busca do varejo por diferenciação e margem. “Quando o cliente desenvolve a própria marca, ele sai da briga de preços com concorrentes e passa a ter um produto exclusivo. Isso é estratégico e tende a crescer também no Brasil”, diz.
O modelo, no entanto, exige escala. Por isso, ainda é mais comum entre grandes redes. “Private label demanda volume alto e investimento em embalagem e customização. Pequenos pet shops, em geral, infelizmente, não conseguem atender esse requisito. O problema talvez seja escoar, comercializar grande quantidade de produtos’’, reforça.