Licitações no mercado pet têm queda, mas rações são exceção
Com nova lei, concorrências públicas podem estimular fontes de receitas extras para pequenos e médios fabricantes
A oferta de licitações para o mercado pet teve uma ligeira redução de 4,7% no ano passado no comparativo com 2024. As concorrências públicas voltadas a indústrias de pet food, no entanto, foram exceções e registraram alta. O resultado reforça essa alternativa como caminho para fabricantes de pequeno e médio porte viabilizarem novas fontes de receita.
O Panorama Pet&Vet, inclusive, conta com uma área dedicada à divulgação de licitações nos âmbitos federal, estadual e municipal – atualmente, 113 oportunidades estão disponíveis.
Ao todo, 2025 contabilizou a abertura de 2.690 editais para empresas do setor, com foco no fornecimento de rações, petiscos, acessórios, medicamentos, vacinas e serviços de adestramento e atendimento veterinário. O número, baseado em levantamento da consultoria RHS Licitações. foi ligeiramente inferior às 2.809 concorrências promovidas em 2024.
Do montante geral de licitações, 46% tiveram como objetivo a compra de itens de nutrição animal, contra 42% do ano anterior. Outros 37% envolveram aquisição de remédios e demandas relacionadas à assistência veterinária, castração e identificação eletrônica.
Licitações para o mercado pet em 2025
(número de concorrências por nicho)

Indústria de pet food foi a única a ter avanços
A suave retração no volume de concorrências contrastou com o aumento de 4,7% nos editais associados à categoria de pet food. “É um segmento que sobressai pela resiliência, favorecida pela natureza de consumo contínuo. Os suprimentos alimentares mantêm uma importância estratégica especialmente pela maior profusão de programas de bem-estar público animal”, analisa Sandra Botana, diretora da consultoria.
Já o contingente de serviços de saúde animal licitados apresentou uma queda moderada de 7,2%. A retração foi considerada discreta, indicando que atendimentos essenciais mantêm estabilidade frente às crescentes pressões orçamentárias nos governos federal, estaduais e municipais.
As licitações para obtenção de acessórios, materiais e equipamentos para adestramento, por sua vez, despencaram 17,6%. “Isso reflete uma clara priorização de gastos com suprimentos de primeira necessidade, além de uma possível saturação de estoque nos órgãos públicos”, complementa.
Recente Lei de Licitações abriu campo para PMEs
A Lei de Licitações que entrou em vigor em 2024, diminuiu as exigências em contratos de maior valor. Uma das mudanças mais impactantes é a dispensa de participação presencial e da apresentação de uma série de documentações físicas para comprovar a capacidade financeira e logística das empresas e habilitar o acesso às concorrências.
Até então, apenas licitações de até R$ 17,6 mil estavam livres dessas burocracias. Eram contratos de pequeno valor e pouco compensadores. Mas agora o teto saltou para R$ 57 mil.
Os pregões e as cotações eletrônicas, aliás, vêm ganhando importância principalmente a partir da deflagração da pandemia. Essa modalidade responde por mais de 3/4 dos editais. “Essa alternativa tornou-se conveniente principalmente para pequenos pet shops e clínicas, cujos proprietários têm menos facilidade para deslocamentos por limitações de recursos ou mesmo de tempo”, acredita.
As licitações no formato eletrônico têm data e horário predefinidos e, assim que iniciadas, as empresas interessadas dão o lance. A concorrência acontece de maneira randômica e a proposta de menor valor é a vencedora.