Pesquisa revela quatro perfis de consumo de suplementos pet
Estudo aponta que quase metade dos tutores ainda não compra esses produtos, mas apresenta potencial de conversão para a categoria
por Juliana de Caprio em
O mercado de suplementos para animais de estimação continua em expansão e apresenta oportunidades distintas para fabricantes e varejistas que souberem adaptar suas estratégias aos diferentes perfis de tutores. É o que aponta uma análise da Nextin Research apresentada durante a Conferência Anual da National Animal Supplement Council (NASC) realizada em Phoenix, nos Estados Unidos.
O estudo, conduzido com 2.414 donos de cães e gatos, identificou quatro segmentos de consumo com comportamentos, expectativas e níveis de maturidade diferentes. Segundo os dados, 24% dos tutores já utilizam suplementos regularmente, enquanto outros 49% representam potenciais compradores para a categoria.
Para Nicole Hill, vice-presidente de estratégia e inovação da MarketPlace, compreender em qual estágio da jornada de compra cada consumidor se encontra é fundamental para direcionar investimentos em marketing, educação e desenvolvimento de produtos. “A pesquisa busca identificar necessidades não atendidas e sinais que indiquem para onde a categoria está caminhando”, frisa.
Adotantes impulsionam crescimento da categoria
Os chamados “Adotantes de Suplementos para Animais de Estimação” representam atualmente a base mais consolidada do mercado. O grupo reúne 32% dos tutores de cães e 17% dos tutores de gatos e se caracteriza pelo elevado engajamento com saúde, nutrição e bem-estar animal.
Segundo a pesquisa, esse público demonstra forte alinhamento com valores ligados à sustentabilidade, origem dos ingredientes e responsabilidade ambiental. Além disso, apresentam maior disposição para investir em produtos premium e soluções integradas para seus animais.
Entre os principais benefícios buscados estão saúde articular, digestiva, imunidade, pele e pelagem. A pesquisa também identificou crescimento do interesse por categorias emergentes, como saúde cognitiva e saúde ocular, consideradas potenciais tendências para os próximos anos.
Outro destaque é a evolução da percepção positiva sobre ingredientes funcionais. Os pós-bióticos registraram um dos maiores avanços de reconhecimento entre os consumidores, acompanhados por ingredientes como cúrcuma, óleo de krill, biotina, sabugueiro e condroitina.
Consumidores de bem-estar representam oportunidade imediata
O estudo aponta que o segmento com maior potencial de conversão no curto prazo é formado pelos adeptos dos chamados produtos de bem-estar adjacentes. Eles correspondem a 24% dos tutores de cães e 20% dos tutores de gatos.
Embora ainda não utilizem suplementos, esses consumidores já investem em alimentos frescos, produtos odontológicos e petiscos com benefícios funcionais percebidos. O grupo apresenta perfil mais jovem, maior poder aquisitivo e elevado interesse por informações relacionadas à saúde animal. Quase metade dos entrevistados afirma ter pesquisado ingredientes funcionais para seus pets nos últimos 12 meses. “O principal desafio para converter esse público não está na distribuição dos produtos, mas na educação do tutor”, comenta.
O estudo indica que muitos tutores ainda associam benefícios funcionais aos petiscos e não compreendem claramente as diferenças entre esses produtos e os suplementos nutricionais.
Preço é fator decisivo para consumidores em estágio intermediário
Outro segmento mapeado foi o dos “Interessados Inativos”, que reúne 25% dos tutores de cães e 30% dos tutores de gatos. Esses tutores demonstram interesse por saúde e bem-estar, mas mantêm hábitos de compra mais tradicionais e apresentam maior sensibilidade ao preço. Embora consumam alimentos voltados ao bem-estar animal, ainda não incorporaram suplementos ou produtos específicos de saúde à rotina dos pets.
Para esse público, a pesquisa sugere estratégias focadas em produtos de entrada, embalagens menores e comunicação voltada à demonstração de valor. Segundo Hill, o posicionamento premium tende a apresentar menor impacto nesse grupo quando comparado aos consumidores mais engajados.
Mercado de gatos pode esconder oportunidade inexplorada
O levantamento também identificou um grupo denominado “Desinteressados em Bem-Estar”, formado por consumidores que atualmente não compram suplementos, produtos odontológicos ou outras soluções relacionadas à saúde animal. Os tutores de gatos aparecem de forma mais expressiva nesse segmento, representando 33% do grupo, contra 20% dos tutores de cães.
Para a pesquisadora, esse dado não deve ser interpretado apenas como falta de interesse do consumidor, mas também como um possível indicativo de que o mercado ainda não desenvolveu soluções suficientemente atrativas ou acessíveis para atender às necessidades específicas dos felinos.