Distribuição ganha protagonismo com mercado pet mais competitivo, avalia executivo
Ex-executivo da PremieRpet diz que desaceleração do setor amplia importância da capilaridade, eficiência logística e proximidade com o varejo
por Henrique Almeida em
Com a desaceleração do crescimento no mercado pet e o acirramento da competição, a distribuição volta a ganhar protagonismo dentro da cadeia, especialmente no atendimento ao pequeno e médio varejo. A avaliação é de Roberto Nitrini, ex-executivo da PremieRpet, com quase duas décadas de experiência no setor e atualmente à frente da operação da CDA MAX – atacadista com sede em Barueri (SP).
Em entrevista exclusiva ao Panorama Pet&Vet, Nitrini afirmou que, embora a visão sobre o mercado permaneça semelhante após a migração da indústria para a distribuição, o cenário atual exige uma abordagem muito mais focada em eficiência comercial e operacional. “A visão do mercado não muda muito, pois segue sendo o mesmo mercado de atuação, que aliás está bastante desafiador”, afirma.
Pequeno e médio varejo ampliam relevância da distribuição
Segundo o executivo, a distribuição segue sendo peça importante para garantir capilaridade, principalmente diante da dificuldade das indústrias em atender operações menores com a mesma eficiência dedicada às grandes contas.
Na visão dele, enquanto grandes clientes costumam ser atendidos diretamente pelas indústrias, operações menores demandam maior frequência de visitas, entregas mais pulverizadas e flexibilidade comercial, fatores que tornam a distribuidora um elo relevante. “Esse custo de servir é difícil para uma indústria que não tem a expertise para atender essas demandas”, explica.
Além disso, Nitrini destaca que fatores como agilidade, prazo e flexibilidade comercial muitas vezes pesam mais que descontos agressivos.
Mercado mais maduro aumenta pressão por eficiência
O executivo avalia que a consolidação do setor trouxe uma dinâmica mais competitiva, reduzindo margens para ineficiências que antes eram absorvidas pelo ritmo acelerado de crescimento do mercado. “Quando o mercado está crescendo, muitas indústrias, distribuidores e lojistas ignoram pontos fracos e oportunidades de melhoria”, comenta
Agora, segundo ele, a lógica mudou. “Quem está se preparando, reduzindo custos e otimizando processos vai sair ganhando nesse cenário”, acrescenta. Na prática, temas como logística, agilidade de entrega, redução de perdas e melhor integração entre indústria, distribuição e varejo passaram a ocupar papel ainda mais estratégico.
Exclusividade segue fazendo sentido
Nitrini também defende que modelos de exclusividade ainda fazem sentido dentro do canal de distribuição, desde que respeitem segmentações claras. “Trabalhar com marcas concorrentes dentro da mesma categoria pode esbarrar em conflitos de interesses comerciais”, pondera. Por outro lado, ele considera saudável a ampliação de portfólio entre categorias complementares, como forma de aumentar eficiência operacional e gerar conveniência para o varejista.
Canal alimentar pode avançar no pet food
Outro movimento observado pelo executivo é o avanço gradual do canal alimentar dentro do mercado pet, especialmente em um contexto de maior sensibilidade econômica. “Os supermercados vêm ganhando espaço no consumo de pet food principalmente em categorias mais acessíveis, seja pelo apelo da conveniência ou por redução no poder de compra da população”, analisa.
A expectativa dele é que esse canal evolua nos próximos anos, incorporando gradualmente produtos premium e super premium, movimento já observado em mercados internacionais.
Mesmo diante da consolidação do setor e do avanço de modelos de venda direta, Nitrini acredita que a distribuição continuará sendo relevante dentro da cadeia pet. “A importância pode até mudar de natureza, saindo menos da concentração de volume e mais da pulverização de mercado. Mas quando se fala de capilaridade, número de pontos de venda e share de mercado, ninguém faz esse papel como o atacadista”, conclui.