Turismo pet friendly entra no radar do governo federal
O Ministério do Turismo, em parceria com a UNESCO, lançou um edital para contratar consultoria especializada responsável por elaborar um diagnóstico e mapeamento do segmento de viagens pet friendly no Brasil.
A iniciativa pretende levantar dados sobre oferta e demanda em todas as 27 unidades da federação, além de identificar oportunidades e gargalos que possam orientar o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias para fortalecer o turismo voltado a tutores.
Diagnóstico nacional do turismo com pets
O trabalho terá como foco a análise do ecossistema do turismo pet friendly no país, incluindo empreendimentos, destinos, operadores turísticos e experiências que permitam a presença de animais de companhia. Entre os produtos previstos estão três entregas estratégicas. A primeira é um diagnóstico nacional do turismo pet friendly.
A consultoria também deverá desenvolver um Manual de Boas Práticas voltado a empreendedores e gestores públicos e privados, com orientações para estruturar estabelecimentos e destinos preparados para receber animais. Outro resultado esperado é a criação de um Guia Nacional de Turismo Pet Friendly, com recomendações sobre convivência e bem-estar animal durante viagens, além de informações sobre destinos e experiências disponíveis no país.
Mercado pet impulsiona novas experiências
“A iniciativa reflete o avanço do mercado pet brasileiro e a crescente humanização dos animais de estimação, que passaram a influenciar diretamente as decisões de consumo das famílias”, argumenta Caio Villela, presidente executivo da Abempet.
Apesar do potencial de expansão, o segmento ainda convive com entraves estruturais. Para Villela, a elevada carga tributária é um dos principais fatores que limitam o crescimento do mercado, hoje estimado em pouco mais de R$ 77 bilhões. Estudo apresentado pela entidade em 2024 indica que uma redução de 60% nos tributos do setor poderia resultar em aumento de até 210% na arrecadação, impulsionado pelo avanço do consumo.
Outro ponto de atenção é a volatilidade cambial. Como boa parte dos insumos utilizados na produção de itens para pets é importada, a alta do dólar tende a pressionar custos ao longo de toda a cadeia, o que reduz a margem das empresas e cria um ambiente menos favorável para novos investimentos.
“É preciso reconhecer que, sem mudanças estruturais no ambiente tributário, o cenário continuará restritivo. O turismo pet pode avançar, mas dentro de um mercado que perde força em termos reais”, afirma.