Mercado pet torna-se vitrine para expansão de grandes marcas
Estratégias de empresas de moda, luxo e lifestyle revelam novo patamar de premiumização e engajamento de consumidores no segmento
por Juliana de Caprio em
O ingresso de grandes marcas no mercado pet, oriundas de segmentos como moda, luxo, lifestyle e até mesmo alimentação, vem ganhando corpo e refletindo uma transformação que vai além dos players tradicionais de varejo e produtos veterinários. A tendência reforça a premiumização do consumo pet e abre oportunidades para diversificação de portfólios, novos modelos de negócios e conexões emocionais com os tutores.
Marcas de luxo expandem presença com produtos exclusivos
A nova safra de coleções para pets ultrapassa a oferta básica de roupas e acessórios. As marcas de alto padrão estão lançando itens que dialogam com seus universos criativos e aspiracionais.
A Louis Vuitton, por exemplo, consolidou sua liderança no segmento com lançamentos como Speedy Pet Trunk – uma casa de luxo inspirada nos baús da Maison du Monde -, e bolsas-transportadoras Neverwoof que se alinham com a estética de viagem e preços premium da marca.
A Gucci, que iniciou sua coleção pet em 2022, oferece roupas, coleiras, guias, camas e até peças de mobiliário e materiais sustentáveis, como camisetas, tigelas ornamentais e coleiras personalizadas.
Outras marcas de grife, a exemplo de Hermès, Versace, Tiffany & Co. e Prada, também ampliaram seus portfólios, desde camas e comedouros artesanais até capas de chuva, tigelas e coleiras em couro premium ou metal precioso.
Marcas de lifestyle criam conexões com tutores
Não são apenas no mercado de luxo que se encontram oportunidades estilosas para os pets. A Adidas está investindo em coleções petwear com versões miniaturas de peças clássicas, inicialmente em mercados como a China ampliando a experiência da marca.
No Brasil, iniciativas como a linha Au.Migos Pets, do Grupo Boticário, movimentam o mercado de cuidados e higiene com xampus, colônias e soluções anti-odor, combinando tecnologia e estética para pets.

A Melissa também passou a contar com uma linha de acessórios para animais de companhia, incluindo coleiras, mordedores e bolas com a estética própria da marca. Outras parcerias entre grupos tradicionais e players pet, incluindo a colaboração entre Reserva e Petlove para coleiras, guias e brinquedos, mostram que brand extensions se consolidam como estratégia para alcançar públicos que já demonstram forte ligação afetiva com seus animais.
Olhar mais abrangente do consumidor estimula atração de marcas
Para o especialista em transformação de negócios, Sandro Magaldi, o tamanho do mercado pet e seu potencial de crescimento atraem empreendedores de outros setores. Além disso, ele aponta que as companhias, hoje, têm um olhar mais abrangente daquilo que o consumidor deseja. “A inovação emerge, justamente, no entendimento de que esse cliente tem outras demandas que podem ser atendidas de forma superior”, analisa.
A professora de marketing e comportamento do consumidor da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas, Mariana Munis, aponta outros dois motores – a humanização dos pets e a maturidade das empresas em questão.
Segundo ela, a humanização dos pets vem sendo determinante para furar a bolha do mercado especializado. “De acordo com pesquisa da Opinion Box, 70% dos entrevistados afirmaram que seus animais de estimação são como filhos para eles”, comenta.
“As empresas encontram-se em um estágio de maturidade, momento no qual já detêm um faturamento mais estável, mas param de crescer financeiramente. Logo, promover a extensão de linha de produtos é algo que pode ajudar as marcas a crescerem de forma sustentável”, completa.
Impacto para o setor pet
O avanço dessas iniciativas se dá em um contexto de forte expansão do mercado pet. No segmento global de pet food, por exemplo, projeções indicam que ele pode quase dobrar de tamanho até 2035, impulsionado pela procura por produtos premium e pela humanização dos pets.
Apesar do crescimento, a entrada de grandes marcas externas ao pet traz desafios competitivos para o varejo tradicional. Pequenas e médias lojas precisam articular ofertas diferenciais, fortalecer serviços e integrar canais digitais e físicos para manter fidelidade e relevância.