Salários no varejo pet sobem, mas expõem desigualdades
Comparação entre 2024 e 2025 mostra reajustes moderados nas funções operacionais dos pet shops, com maior pressão salarial em grandes centros
O mercado pet brasileiro iniciou 2026 com um dado incontornável para empresários, gestores e investidores. O custo de mão de obra aumentou, mas de forma desigual.
Levantamento do Panorama Pet&Vet, com base em dados do Caged, do portal Salário e convenções coletivas, indica que os salários médios em pet shops avançaram entre 4% e 8% na comparação com 2024, acompanhando negociações sindicais e a inflação do período.
A análise considera quatro funções-chave da operação de pet shops – tosador,
banhista, auxiliar de veterinário e atendente/recepcionista. Embora tenha havido evolução, os números revelam distorções regionais relevantes, sobretudo entre Sudeste/Sul e Norte/Nordeste.
Reajustes puxados por funções técnicas
Entre 2024 e 2025, os tosadores concentraram os maiores ganhos nominais. A média nacional saiu de cerca de R$ 1,85 mil em 2024 para algo próximo de R$ 2 mil em 2025, impulsionada por pisos salariais mais altos e pela dificuldade de reposição desse profissional no mercado.
Os banhistas, função de entrada em muitos estabelecimentos, também registraram alta, porém mais moderada. A média passou de aproximadamente R$ 1,66 mil para R$ 1,74 mil. Já o salário dos auxiliares de veterinário subiu de R$ 1,78 mil para R$ 1,84 mil, refletindo tanto convenções coletivas como diferenças de enquadramento entre pet shops e clínicas.
No caso de atendentes e recepcionistas, o avanço percentual foi relevante, ainda que sobre uma base mais baixa. O salário médio nacional saltou de cerca de R$ 1,45 mil em 2024 para R$ 1,65 mil em 2025, movimento associado à recomposição inflacionária e à maior disputa por mão de obra no varejo.
Evolução salarial nos pet shops
(média 2024 x 2025 por profissional, em mil R$)

Diferenças regionais ampliam o fosso
O recorte regional evidencia um ponto de atenção para o setor. Sudeste e Sul concentram os maiores salários médios em todas as funções analisadas, enquanto Norte e Nordeste permanecem com valores significativamente inferiores.
Em 2025, um tosador no Sudeste chega a receber, em média, até 30% mais do que um profissional da mesma função no Nordeste. Para atendentes, a diferença pode ultrapassar 35%. “Esse cenário evidencia um fosso que vai além do custo de vida e reflete o grau de formalização, o porte das empresas e a força das negociações coletivas”, ressalta Ricardo de Oliveira, mentor especializado no varejo pet e CEO da Fórmula Pet Shop.
Média salarial no varejo pet por região (em mil R$)

Pressão de custos e novos modelos
Para os empresários do setor pet, o cenário impõe escolhas estratégicas. A elevação dos salários ocorre em um momento de margens pressionadas. Como resposta, ganham espaço modelos híbridos de contratação, remuneração variável por produtividade – especialmente em banho e tosa – e investimentos em automação e gestão para diluir custos.
A leitura dos dados sugere que, embora os reajustes tenham sido moderados, a tendência estrutural é de valorização gradual da mão de obra técnica. “Ignorar esse movimento pode comprometer a competitividade do negócio no médio prazo”, comenta o consultor Marco Gioso.