Pets não convencionais totalizam 39% dos animais de companhia
Répteis, aves, peixes e pequenos mamíferos ganham espaço e ajudam a mudar dinâmica de consumo
A paisagem dos lares brasileiros está mudando. Se cães e gatos continuam dominando em números absolutos, os chamados pets não convencionais – incluindo aves ornamentais, répteis, peixes e pequenos mamíferos – já somam 39% da população de animais de companhia presente nos domicílios.
Os dados do último Censo Pet da Abempet apontam ainda que a demanda por répteis e pequenos mamíferos, como chinchilas, hamsters e tartarugas-tigre-d’água, teve aumento de 7,6% nos últimos três anos. O contingente total dessas espécies sob os cuidados de tutores chega a 2,8 milhões. A aquisição de aves ornamentais cresceu 3% e esse grupo soma 42,8 milhões.
O avanço é superior à procura por cães, cuja alta foi de 2,8% no mesmo período. Embora inferior à média, o incremento de 2,29% de peixes ornamentais – total de 22,3 milhões – também chama a atenção.
População pet nos lares brasileiros
(estimativas em milhões e %/total)

Mudanças na urbanização impulsionam pets não convencionais
O processo de verticalização das cidades, com apartamentos menores e menos áreas externas, influencia a escolha por pets não convencionais. “Animais mais autônomos, que exigem menos espaço e cuidados mais simples, tornaram-se alternativa viável para a rotina agitada da vida urbana”, acredita Caio Villela, CEO da Abempet.
Indicadores internacionais confirmam essa tendência. De acordo com a consultoria Grand View Research, o mercado global de pets exóticos deverá atingir US$ 3,21 bilhões (R$ 16 bi) até 2033. Os consumidores das gerações Millennials e Z devem ser os principais responsáveis por essa expansão, influenciados também pela crescente visibilidade desses animais nas mídias sociais.
Outro relatório, desenvolvido pela American Pet Products Association (APPA), revela a geração Z já representa 22% dos tutores de aves e 34% dos donos de pequenos animais. Respectivamente, a evolução foi de 22% e 17% em comparação com 2023. Entre os pequenos animais, os coelhos lideram a preferência dos tutores (37%). Em seguida figuram os porquinhos-da-índia com 23%; e os hamsters (18%).
Evento abriu espaço dedicado aos pets exóticos
O crescente interesse pelos pets exóticos também impacta o mercado de eventos. Em 2025, pela primeira vez o Congresso Pet Vet, paralelo à Pet South America, contou com uma sessão de debates clínicos dedicada aos cuidados desses animais. “Foi apenas a estreia de uma grade que deve permanecer fixa no evento”, reforça Guilherme Martinez, diretor do portfólio pet da NürnbergMesse Brasil, organizadora do encontro.
“Por ser uma área em ascensão, o número de profissionais interessados também vem aumentando. Com isso, é necessário um conhecimento mais robusto em relação aos animais não convencionais”, analisa Talita Santos, médica veterinária e embaixadora do evento.