Petlove concentra 65% do mercado de plano de saúde pet
Empresa gerencia mais de 220 mil vidas seguradas com expectativa de atingir 300 mil até o final de 2026
por Juliana de Caprio em
A Petlove consolidou-se como líder do mercado brasileiro de planos de saúde pet ao atingir 65% de participação no setor. Considerado o maior ecossistema pet do país, o grupo ultrapassou recentemente a marca de 220 mil vidas seguradas, resultado que representa um crescimento de 100% em relação a 2022 e reforça a rápida expansão da saúde animal no Brasil.
A projeção da empresa é encerrar o ano com mais de 300 mil pets cobertos, o que elevaria sua fatia de mercado para cerca de 75%. Apenas a vertical de saúde deve gerar um faturamento estimado em R$ 260 milhões no período, o equivalente a 17% da receita total prevista da companhia.
O avanço é atribuído a uma combinação de fatores, como o aumento da conscientização dos tutores sobre cuidados preventivos, a ampliação da cobertura geográfica e o fortalecimento da rede credenciada.
Atualmente, a Petlove está presente em 22 das 26 capitais brasileiras e atende cerca de 150 municípios, com uma base de aproximadamente 4 mil parceiros, entre clínicas, laboratórios, médicos-veterinários e profissionais autônomos.
A estratégia de crescimento também passa pela diversificação do portfólio. Um dos destaques é o Plano Leve, opção de entrada que oferece vacinas básicas, consultas com veterinário generalista, atendimento domiciliar, além de microchipagem e instalação de tag localizadora sem custo adicional. Os valores variam apenas conforme a região, sem diferenciação por raça, idade ou porte do animal, o que amplia o acesso aos serviços.
Outro pilar relevante são as parcerias B2B. A Petlove firmou acordos com instituições como os bancos Inter e BTG Pactual, que passaram a oferecer os planos da companhia com benefícios exclusivos para seus correntistas. Além disso, a empresa mantém planos corporativos voltados a colaboradores, com cerca de 60 empresas nacionais e multinacionais no portfólio.
Para Fabiano Lima, CEO da área de saúde, o mercado ainda tem um enorme espaço para expansão. “Pesquisas mostram que apenas 0,4% dos cães e gatos no Brasil contam com plano de saúde. Esse dado evidencia o potencial do setor e reforça nossa missão de democratizar o acesso aos serviços veterinários”, afirma.
Mercado em expansão e debate sobre regulamentação
O crescimento da Petlove ocorre em um cenário de forte expansão do mercado de planos de saúde pet no Brasil. Criada em 2024, a Associação Brasileira de Planos de Saúde Pet (ABPSP) reúne atualmente cinco das principais empresas do segmento e contabiliza mais de 25 operadoras ativas no país. A entidade estima que existam entre 800 mil e 1 milhão de planos ativos, número que tende a crescer nos próximos anos.
Segundo o vice-presidente da ABPSP, Luiz Gênova, a penetração ainda é baixa frente ao potencial do mercado. “Hoje, cerca de 1% do universo de aproximadamente 100 milhões de cães e gatos no Brasil conta com plano de saúde. Nos próximos anos, esse número pode chegar a 5 milhões de pets cobertos”, projeta.
O avanço do setor, no entanto, traz desafios. Gênova avalia que o mercado deve passar por um processo natural de consolidação, com a permanência das empresas que apresentem capacidade financeira, estrutura operacional e gestão eficiente. Ele também rebate críticas sobre a sustentabilidade de planos mais acessíveis, destacando que o equilíbrio está na gestão e não apenas no valor da mensalidade.
A discussão sobre regulamentação também ganha força. Para Fabiano Granville, fundador da plataforma EloVetNet, a criação de regras claras, semelhantes às da saúde suplementar humana, traria mais segurança para tutores, empresas e profissionais veterinários. “A regulamentação ajudaria a definir coberturas, carências, reajustes e garantias de atendimento, criando um ambiente mais sustentável”, afirma.
Apesar dos desafios, o consenso entre especialistas é que a saúde pet se consolida como uma das verticais mais promissoras do setor, impulsionada pela mudança no comportamento dos tutores e pela profissionalização do mercado.