Pet food confirma freio e fica aquém das projeções iniciais
Balanço oficial de 2025 confirma crescimento tímido da categoria, apesar do avanço geral da indústria de rações
O mercado brasileiro de pet food encerrou 2025 dentro do esperado, mas sem surpresas positivas. Os dados oficiais divulgados pelo Sindirações confirmam o desempenho moderado já antecipado no fim do ano passado, reforçando a perda de fôlego da categoria em relação ao conjunto da indústria de alimentação animal.
A produção de rações para cães e gatos atingiu 4,04 milhões de toneladas, praticamente em linha com as estimativas divulgadas em dezembro. O volume representa um crescimento de apenas 0,7% sobre 2024, quando o setor havia registrado 4,01 milhões de toneladas.
Embora o avanço confirme a resiliência do segmento, segue distante do ritmo mais acelerado observado em outros elos da cadeia. No consolidado, a indústria de rações e suplementos cresceu acima de 3% em 2025, alcançando cerca de 94 milhões de toneladas, impulsionada principalmente pela recuperação das proteínas animais.
Produção de rações para pets
(em milhões de toneladas e crescimento %/ano anterior)

Indústria avança, mas pets ficam para trás
O contraste entre o desempenho do pet food e o restante da indústria torna-se ainda mais evidente na análise por nicho. Segmentos como avicultura, suinocultura e aquicultura voltaram a ganhar tração, beneficiados por custos mais equilibrados e maior demanda interna e externa.
Já o mercado pet segue operando em um ambiente mais desafiador. “A combinação de renda pressionada, maior sensibilidade a preços e competição acirrada, sobretudo nas linhas econômicas, limita uma expansão mais robusta em volume”, comenta Ariovaldo Zani, CEO da entidade.
Ao mesmo tempo, a dinâmica de consumo mostra sinais de acomodação. Depois de anos de forte crescimento impulsionado pela pandemia, o setor passa por um ciclo mais racional, em que o aumento da base de animais perde intensidade e o tíquete médio passa a ser mais volátil.

A distribuição dos volumes permanece concentrada – 80% voltados a cães, 19% aos gatos e apenas 1% às demais espécies, que abrangem pássaros, peixes ornamentais, répteis e pequenos mamíferos.

Migração de consumo redesenha o mercado
Um dos principais vetores dessa desaceleração continua sendo a mudança no comportamento do consumidor. A busca por melhor relação custo-benefício tem levado parte dos tutores a migrar para produtos de faixa intermediária, movimento que impacta diretamente a rentabilidade da indústria.
Esse reposicionamento ajuda a explicar por que avanços em inovação, qualidade e tecnologia, ainda que relevantes, não vêm se traduzindo em saltos significativos de produção. “O ganho está mais concentrado em valor agregado do que em volume”, complementa Zani.
Por outro lado, tendências estruturais seguem sustentando a expansão, ainda que em ritmo mais lento. A maior preocupação com nutrição, saúde e bem-estar dos pets impulsiona a demanda, assim como o advento dos canais digitais, que ampliam o acesso e diversificam a jornada de compra.
Projeções indicam retomada gradual
Para 2026, o Sindirações projeta uma leve aceleração. A produção de pet food deve atingir 4,15 milhões de toneladas. No consolidado da indústria de alimentação animal, a expectativa é chegar a 97 milhões de toneladas. “O desafio para o pet food será equilibrar esse cenário mais favorável com seus próprios entraves, incluindo a elevada carga tributária e a necessidade de ampliar o acesso ao consumo”, finaliza o executivo.