Pesquisa inédita avalia estrutura das distribuidoras pet no país
Andipet analisou perfil das equipes e maturidade administrativa e comercial das empresas do setor
por Juliana de Caprio em
A profissionalização da gestão operacional está no centro das transformações das distribuidoras pet brasileiras. É o que revela o primeiro relatório nacional de estruturas comerciais do setor, conduzido pela Andipet e que traça um panorama detalhado sobre estrutura organizacional, equipes, processos internos e qualificação do setor.
O estudo traz um retrato detalhado da engrenagem interna das distribuidoras. Mais do que números de mercado, o levantamento evidencia como a gestão operacional e a estrutura profissional passaram a ser fatores determinantes para sustentar crescimento em um ambiente de maior pressão por eficiência.
O estudo aponta um setor em processo de amadurecimento, mas que carrega custos estruturais relevantes. “Nosso objetivo foi entender como o distribuidor está organizado por dentro, quantas pessoas trabalham em cada área e como isso impacta a eficiência do negócio”, declara Diego Dahas, presidente da associação que congrega as 60 maiores atacadistas especializadas no segmento pet.
Gestão operacional: complexidade crescente
O mapeamento mostra que as distribuidoras operam com alto volume de rotinas administrativas que impactam diretamente o caixa e a margem:
- Gestão de crédito
- Controle de comissões
- Benefícios trabalhistas
- Operação com máquinas de cartão e taxas variáveis
- Estrutura formal de contratação
Mais da metade das empresas utiliza máquinas de cartão com taxas variáveis, o que pressiona margens, especialmente em operações com ticket pulverizado.
Dahas reforça que transformar escala em eficiência coletiva passa a ser uma agenda estratégica, inclusive com possibilidade de negociações estruturadas para redução de custos operacionais.
Estrutura profissional
O levantamento revela um alto grau de profissionalização nas áreas comerciais.
Distribuidoras que têm os profissionais abaixo em seus quadros (em %)

A forte presença de consultores técnicos sinaliza uma mudança no perfil da distribuição. Mais orientação técnica e suporte ao varejo, menos atuação puramente transacional. “Detectamos que muitos distribuidores começaram de forma muito operacional, com o dono fazendo um pouco de tudo. Hoje há uma necessidade clara de separar funções e profissionalizar a gestão”, complementa.
CLT predomina e amplia rigidez estrutural
A composição da força de vendas mostra predominância do regime formal. 40,7% operam com 100% CLT, 14,8% operam com 100% PJ e o restante adota modelos híbridos.
O modelo formal contribui para estabilidade e retenção de talentos, mas amplia o peso da estrutura fixa no resultado operacional. Além disso, a maioria das empresas oferece benefícios.
Empresas que oferecem os benefícios abaixo (em %)
| Vale transporte e/ou automóvel | 81,50% |
| Alimentação | 59,30% |
| Assistência médica | 55,60% |
| Seguro de vida | 51,90% |
| Refeição | 37% |
| Assistência odontológica | 33,30% |
| Incentivo à educação | 29,60% |
| Cursos in company | 18,50% |
| Estacionamento | 14,80% |
| Farmácia | 11,10% |
| Não oferecem benefícios | 11,10% |
| Oferecem outros benefícios | 7,40% |
O setor demonstra maturidade trabalhista, mas também convive com maior complexidade na gestão. “A profissionalização está consolidada. Agora, a agenda estratégica passa por redução de custos operacionais, padronização de práticas eficientes e inteligência coletiva para ganho de escala”, argumenta.
Outro fator destacado pelo presidente da entidade foi a necessidade de indicadores de desempenho e governança interna. “Quem não tiver controle claro de estoque, prazo médio, giro e rentabilidade por cliente vai ter dificuldade de sobreviver em um cenário de desaceleração”, alerta.