Mulheres já são 60% do mercado de medicina veterinária
Dados do CFMV indicam que quase 135 mil mulheres atuam no setor
De acordo com dados compilados pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), as mulheres representam atualmente 60% do número de médicos veterinários no Brasil. As informações consideram atualizações de mercado registradas até o início deste mês de março, período em que também é celebrado o Dia Internacional da Mulher.
Hoje pouco mais de 224 mil profissionais estão em atividade no segmento no país. Desse total, quase 135 mil são do gênero feminino, enquanto pouco mais de 89 mil são homens. Os números têm como base os registros disponíveis no próprio CFMV e também nos conselhos regionais de medicina veterinária (CRMVs), que acompanham a evolução da profissão em todo o território nacional.
O avanço da participação feminina na área, no entanto, não é um fenômeno recente. A presença de mulheres na medicina veterinária vem crescendo de forma consistente ao longo dos últimos anos. Em 2024, por exemplo, elas já representavam 55,7% do total de profissionais. No ano passado, esse percentual subiu para 58,5% – até atingir os atuais 60% observados nas atualizações mais recentes do sistema profissional.
Até 2017, porém, o cenário era diferente. Naquele momento, a maior parte da força de trabalho da medicina veterinária ainda era composta por homens. A mudança de perfil começou a se consolidar a partir de 2018, quando a participação feminina passou a crescer de forma mais acelerada dentro do contexto do segmento.
“Esse resultado reflete mudanças que vêm ocorrendo ao longo das últimas décadas. Até os anos 1980, a Medicina Veterinária era uma profissão majoritariamente masculina e muito associada às atividades rurais e à produção animal. Com o passar do tempo, o campo de atuação da profissão se ampliou e se diversificou significativamente”, falou a presidente da Comissão Nacional de Valorização da Mulher Médica-Veterinária e Zootecnista do CFMV, Carolina Filippos, à reportagem.
Além disso, complementa, essa transformação também acompanha um movimento mais amplo da sociedade brasileira em que as mulheres passaram a ocupar cada vez mais espaço no ensino superior e em profissões ligadas à saúde, à ciência e ao cuidado. “Esse momento também coincide com um marco institucional relevante. Pela primeira vez em quase 60 anos de história do Conselho Federal de Medicina Veterinária, a instituição é presidida por uma mulher.”
Paralelamente a essa mudança de perfil, o número total de profissionais também tem apresentado crescimento significativo ao longo da última década. Em 2017, por exemplo, eram menos de 120 mil médicos-veterinários cadastrados no sistema do CFMV. Atualmente, esse contingente já se aproxima do dobro do registrado naquele período.
Entidades valorizam inserção feminina na agenda setorial
O setor também testemunha uma crescente preocupação com a inserção das mulheres no mercado de trabalho. Em agosto do ano passado, durante a edição da Pet Vet Expo no Distrito Anhembi, o próprio conselho federal apresentou o Programa CFMV Mulher.
O objetivo é promover a equidade de gênero, o fortalecimento da presença feminina nos espaços de decisão, representação e influência, tanto dentro como fora do Sistema CFMV/CRMVs. O enfrentamento do assédio moral, sexual e da violência de gênero também estão entre as prioridades.
“É uma forma de mostrarmos nosso protagonismo. Quero abrir caminho para que outras mulheres também assumam lugares de destaque nas profissões. Queremos mostrar que nós podemos, sim, ocupar esses lugares”, enfatizou a presidente da entidade, Ana Elisa Almeida.
Já o conselho regional de São Paulo (CRMV-SP) instituiu a partir deste mês uma agenda anual de cursos online voltados à saúde mental feminina no segmento. A proposta é oferecer formação, escuta qualificada e desenvolvimento profissional, considerando os desafios específicos da trajetória feminina nessas áreas.
“Queremos reforçar o compromisso institucional com ambientes de trabalho mais saudáveis e com a valorização profissional das mulheres”, declara Daniela Pontes Chiebao, presidente do conselho.