M&A no setor pet desacelera, mas tende a avançar no Brasil
O mercado de fusões e aquisições (M&A) no setor pet, especialmente na indústria de pet food, vive um momento de desaceleração após o forte ciclo de negócios observado a partir da pandemia. Embora o ritmo tenha diminuído, analistas e investidores avaliam que o setor pode voltar a ganhar tração a partir de 2026 – ainda distante, porém, dos níveis recordes registrados nos anos anteriores.
Os dados mais recentes ilustram essa mudança de cenário. Em 2025, foram contabilizadas 23 transações de M&A no setor pet global, número inferior às 26 registradas em 2024 e bem distante do de 2023, quando o volume chegou a 58 operações. A união entre Petz e Cobasi, chancelada pelo Cade no fim do ano passado, foi uma das poucas exceções à regra.
Os dados fazem parte de uma análise da consultoria especializada BirdsEye Advisory Group.
Fusões e aquisições no setor pet global

Parte relevante dos acordos recentes foi liderada por poucos grupos estratégicos. Um exemplo é a britânica Nutriment Co., responsável por quase metade das transações realizadas no ano passado – sinal de um ambiente mais seletivo e concentrado.
Consolidação ganha força no mercado brasileiro
No Brasil, o movimento de consolidação ganhou força nos últimos anos, principalmente no varejo especializado. Antes mesmo de somarem forças, Petz e Cobasi já vinham ampliando atuação por meio de aquisições e expansão de portfólio, incorporando marcas regionais, serviços e soluções voltadas ao bem-estar animal.
Entre os exemplos estão a Zee Dog e a Mundo Pet, respectivamente compradas por Petz e Cobasi. Outro protagonista desse movimento é a Petlove. A empresa construiu uma estratégia de crescimento baseada na formação de um ecossistema digital e de serviços veterinários, incluindo aquisições de plataformas tecnológicas e redes de clínicas.
“Números do mercado vão ao encontro das expectativas de retomada. Além de o Brasil já ser um dos três maiores mercados do mundo, o país tem um setor muito caracterizado pela fragmentação – já que 95% dos pontos de venda são controlados por pequenos e médios pet shops”, analisa Ricardo Bahiana, sócio da B2R Capital.
“Esses movimentos refletem uma tendência clara no mercado brasileiro – a criação de plataformas completas que integrem varejo, serviços e soluções de saúde animal, ampliando o relacionamento com os tutores e fortalecendo a fidelização”, complementa o consultor empresarial Marco Gioso.
Aquisições também avançam na indústria de pet food
Já na indústria de alimentos para animais, o movimento tem sido mais tímido. Um dos últimos casos representativos foi a entrada da BRF no segmento de pet food. Em 2021, a companhia investiu cerca de R$ 1,35 bilhão na aquisição das fabricantes brasileiras de ração Mogiana Alimentos e Grupo Hercosul.
Com as duas operações, realizadas por meio da divisão BRF Pet, a empresa passou a deter aproximadamente 10% do mercado brasileiro de alimentos para cães e gatos, reforçando a estratégia de diversificação de negócios e de atuação em um dos segmentos mais promissores do consumo.
Segmentos que estão no radar dos investidores
Mesmo em um cenário mais contido para aquisições, algumas categorias continuam despertando forte interesse dos investidores, na avaliação dos especialistas. Produtos de consumo recorrente permanecem entre os ativos mais disputados. É o caso dos alimentos para gatos, impulsionados pelo aumento da população felina.
Petiscos também seguem no radar, acompanhando a humanização dos animais de estimação e o aumento da frequência de compra. Outro foco relevante são os produtos premium, sobretudo aqueles com atributos funcionais e benefícios associados à saúde e ao bem-estar, como suplementos e soluções nutricionais especializadas.
Além da indústria, serviços pet também ganham destaque nas estratégias de expansão. Hospedagem, day care, adestramento, grooming e seguros para animais de estimação aparecem entre os segmentos considerados promissores.