Lei de sepultamento de pets é avanço, apontam especialistas, mas critérios precisam ser claros
Entidades ressaltam alinhamento a mudanças na sociedade e defendem regulamentação
Entidades ressaltam alinhamento a mudanças na sociedade e defendem regulamentação
por Marcia Arbache em
A recente sanção da lei estadual que autoriza, em São Paulo, o sepultamento de cães e gatos nos jazigos das famílias de seus tutores é vista como um avanço pelo setor cemiterial. No entanto, de acordo com especialistas, ainda demanda regulamentação técnica e diálogo com os municípios para ser aperfeiçoada.
Segundo Leonardo Battistuzzo, advogado especialista em direito funerário e consultor jurídico do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep) e da Associação dos Cemitérios e Crematórios do Brasil (Acembra), a principal mudança é a autorização para que os municípios regulamentem essa prática, seja em cemitérios públicos ou particulares. “É um tema de interesse local. Portanto, cabe às prefeituras como isso será implementado”, explica.
Para o consultor jurídico, a medida acompanha uma transformação social já consolidada. Ele lembra que o próprio debate em torno da reforma do Código Civil caminha para reconhecer os animais como seres sencientes. “Os animais de estimação fazem cada vez mais parte das famílias brasileiras. A legislação precisa acompanhar esse movimento, que reforça a necessidade de atualização das normas relacionadas ao setor funerário’’, diz.
Sincep e Acembra, que reúnem de 300 a 400 associados em todo o país – entre cemitérios e crematórios – aprovam a iniciativa. No entanto, as entidades defendem que a regulamentação seja construída com critérios técnicos claros. Entre os pontos que precisam ser detalhados estão as regras para realização do sepultamento, o tempo de permanência, exigências sanitárias e impactos ambientais.
Battistuzzo ressalta que as entidades têm se colocado à disposição do poder público para contribuir com a experiência acumulada pelo setor. “É um ecossistema que envolve empresários, poder público e sociedade. É preciso diálogo para uma regulamentação segura e viável”, comenta.
No caso de cremação de pets, por exemplo, a prática já é permitida e realizada por diversos crematórios especializados, inclusive com cerimônias semelhantes às humanas e a devolução das cinzas aos tutores. A prática é mais comum para cães e gatos, mas pode se estender a outros animais de estimação, a depender das condições técnicas do crematório.
Conteúdos por Marcia Arbache
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