Indústria veterinária cresce 10,1% e mercado se aproxima dos R$ 12 bilhões
Setor mantém ritmo de dois dígitos de alta e vê mercado pet quase dobrar participação em uma década
A indústria brasileira de saúde animal, depois de superar pela primeira vez a cifra de R$ 10 bilhões em 2022, manteve a trajetória ascendente e fechou o ano passado com faturamento de R$ 11,9 bilhões. O avanço foi de 10,1% sobre o mesmo período anterior. No acumulado desde 2019, último ano antes da pandemia de Covid-19, o salto é de expressivos 84%.
Os números são referentes ao demonstrativo de resultados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). Entre os vetores dessa expansão, o segmento de animais de companhia se destaca como o principal motor de transformação estrutural. Há uma década, representava apenas 17% do volume de negócios das indústrias veterinárias. Neste ano, alcançou 27% de participação.
O avanço reflete mudanças profundas no comportamento da população urbana, que passou a investir mais em bem-estar, prevenção e longevidade dos pets. “Vacinas, antiparasitários, suplementos e medicamentos especializados ganham espaço em um mercado cada vez mais orientado por protocolos de cuidado contínuo e pela humanização dos animais de estimação”, contextualiza Emílio Salani, vice-presidente executivo da entidade.
Faturamento da indústria veterinária
(resultado a cada cinco anos em bilhões de R$)

Com mais de 160 milhões de pets, segundo o IBGE, o Brasil figura como o terceiro maior mercado mundial em população de animais de companhia, atrás apenas de Estados Unidos e Reino Unido. Para Salani, esse contingente sustenta uma demanda crescente por soluções terapêuticas e preventivas, impulsionando a diversificação do portfólio industrial e estimulando investimentos em inovação.
Participação de mercado por espécie
(em bilhões de R$ e %/total a cada cinco anos)

Antiparasitários lideram, biológicos avançam
Na análise por classes terapêuticas, os antiparasitários permanecem na liderança, respondendo por 29% das vendas totais. Os produtos biológicos, especialmente vacinas, ocupam a segunda posição, com 21% de participação. “O desempenho é impulsionado por programas de imunização e pela crescente conscientização sobre a importância da prevenção de doenças em diferentes espécies”, reforça o dirigente.
Vendas por classes terapêuticas
(em bilhão de R$ e % total)

Brasil entre os líderes globais
No cenário internacional, o país consolida posição de destaque. De acordo com a Health for Animals, que representa a indústria global do setor, o Brasil forma 6% do mercado mundial de saúde animal, estimado em cerca de US$ 28 bilhões (R$ 146 bilhões). É hoje o terceiro principal mercado do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China.
A América Latina, que movimentou US$ 3,33 bilhões (R$ 17,4 bi) e registrou a maior taxa de expansão regional, reflete o peso brasileiro: o país já concentra aproximadamente dois terços do mercado latino-americano de saúde animal. Para efeito de comparação, a América do Norte segue como maior mercado global, com US$ 11,86 bilhões (R$ 62 bi e 42,3% do total), enquanto a Europa alcançou US$ 8,04 bilhões (R$ 42 bi e 28,7%).