Apenas 18% dos tutores agendam consultas preventivas, diz estudo
Pesquisa revela que custo, acesso e estresse ainda limitam a prevenção veterinária
por Juliana de Caprio em
Um estudo da consultoria global UPPartner aponta um gargalo na atuação dos veterinários. Do total de 483 tutores entrevistados, 82% afirmam levar seus pets ao menos uma vez por ano ao veterinário. No entanto, apenas 18% realizam consultas de forma preventiva, o que representa “uma cultura e literacia em saúde animal ainda reduzidas”, segundo o relatório.
A pesquisa evidencia que todos os entrevistados reconhecem a importância do acompanhamento veterinário, mas muitos ainda não conseguem incorporar a prevenção à rotina devido a fatores econômicos, emocionais e de acesso a serviços adequados.
Vacinação ainda lidera as motivações para a consulta
O levantamento mostra que vacinação e desparasitação seguem como os principais motivadores para as visitas às clínicas. Check-ups regulares, exames de rotina e avaliações comportamentais permanecem pouco explorados pelos tutores.
Apesar disso, há uma procura crescente por especialização médico-veterinária, e os tutores afirmam ter alto nível de confiança nos profissionais como referência para orientação e recomendação em saúde animal.
Custo, estresse e novas soluções em debate
Mesmo com a confiança nos veterinários, o estudo identifica atritos na experiência clínica, especialmente relacionados ao preço elevado e ao estresse dos animais durante as consultas, fator mais sensível no caso dos felinos. Esses pontos ajudam a explicar a resistência dos tutores em levar os pets ao atendimento regular.
Nesse cenário, o serviço veterinário a domicílio ganha espaço. Segundo a pesquisa, 39% dos tutores já utilizam esse formato, que oferece mais conforto, conveniência e redução do estresse, sobretudo para animais ansiosos ou com mobilidade reduzida.
De acordo com a análise, a busca por prevenção tende a crescer à medida que soluções mais práticas, acessíveis e empáticas forem incorporadas ao mercado.
“A saúde animal está se aproximando do modelo da saúde humana: mais especializada, digital e focada na qualidade de vida. Essa transição já começou, mas exige mais informação, acessibilidade e uma experiência clínica alinhada à realidade das famílias”, afirma Bernardo Soares, médico-veterinário e diretor da vertical de saúde UPPartner.
O estudo também indica potencial avanço dos planos de saúde pet. Atualmente, somente 15% dos tutores utilizam esse tipo de serviço, mas 40% demonstraram interesse em contratá-lo futuramente. “A solução é vista como estratégica para ampliar o acesso à prevenção, aumentar a previsibilidade financeira e estimular cuidados mais frequentes”, acredita.
Histórico contribui para baixa adesão
Para Daniela Jambor, que integra o time de Especialistas do Panorama Pet&Vet, a baixa adesão às consultas preventivas também tem raízes na forma como a medicina veterinária, historicamente, se estruturou no imaginário dos tutores.
“O atendimento ainda é amplamente percebido como resposta a eventos agudos, e não como parte de um cuidado contínuo e planejado. A consolidação da prevenção exige orientação clara, comunicação responsável e observância estrita às normas éticas e regulatórias da profissão, sob pena de banalização de serviços, medicalização excessiva ou uso inadequado de soluções digitais e domiciliares”, pondera.
Nesse contexto, atendimentos domiciliares, planos de saúde pet e ferramentas digitais podem ser aliados importantes. “Mas para isso, é necessário que essas iniciativas sejam sustentadas por protocolos clínicos bem definidos, responsabilidade técnica e transparência na relação com o tutor”, finaliza.