Abertura de pet shops segue em alta no Brasil, mas continuidade do negócio preocupa
Consultora do Sebrae-SP detalha planejamento, custos e exigências do setor para perpetuar operações
por Juliana de Caprio em
A abertura de pet shops no Brasil segue em ritmo acelerado. De acordo com levantamento do Sebrae baseado em indicadores da Receita Federal, a criação de micro e pequenas empresas ligadas ao setor aumentou 22% nos últimos dois anos. Do total de 41,5 mil negócios iniciados no período do estudo, cerca de 91% foram constituídos por microempreendedores individuais (MEI). O desafio, porém, está na perpetuação do negócio.
Em entrevista exclusiva ao Panorama Pet&Vet, a consultora do Sebrae-SP, Sandra Fiorentini, destacou que decisões tomadas antes mesmo da abertura podem determinar o sucesso ou o fracasso do negócio. O setor, ressalta a especialista, mantém índices de crescimento impulsionado pela humanização dos pets, mas demanda preparo técnico e financeiro.
A importância do local
De acordo com Fiorentini, o primeiro passo é a escolha do ponto comercial.
Ela orienta priorizar bairros residenciais, com alta concentração de tutores, e evitar regiões predominantemente comerciais, reforçando também a importância de verificar se o imóvel está regularizado para atividade comercial e apto a obter alvarás e licenças. “Não adianta o ponto ser bom se o imóvel não permite a operação legal”, afirma.
A estrutura do espaço também deve atender exigências específicas. Clínicas e áreas de banho e tosa precisam seguir normas da vigilância sanitária, com pisos e paredes laváveis, além de infraestrutura adequada. Outro ponto levantado envolve a logística interna, que deve considerar o porte dos animais e facilitar o atendimento no dia a dia.
Planejamento financeiro e posicionamento são decisivos
No planejamento financeiro, Sandra enfatiza a necessidade de prever todos os custos iniciais, incluindo reformas, equipamentos e estoque. Além disso, recomenda a reserva de capital de giro, um colchão financeiro, equivalente a três ou quatro vezes o custo fixo mensal. “O negócio não gera lucro imediato e pode levar até um ano ou mais para atingir o ponto de equilíbrio, quando a operação consegue se pagar”, reforça.
A definição do mix de produtos e serviços deve obedecer ao perfil da região e da concorrência. Pequenos empreendimentos dificilmente competem com grandes redes na venda de ração e, por isso, devem apostar em conveniência, itens diferenciados e serviços.
Tecnologia e capacitação
Outro ponto central é o uso de tecnologia na gestão. Sandra afirma que sistemas informatizados são indispensáveis para integrar informações de clientes, pets, estoque e finanças. “Sem controle operacional, a chance de erro aumenta muito, principalmente em dias de grande movimento”, destaca.
A consultora, por fim, reforça que a capacitação contínua é essencial. O empreendedor deve se atualizar sobre técnicas de manejo, comportamento do consumidor e tendências do setor. Além disso, a escolha da equipe é estratégica, já que a qualidade do atendimento impacta diretamente na fidelização dos clientes.