Marcas nacionais lideram segmento de pet food no Brasil
Indústria nacional lidera consumo de ração seca, com PremieRpet à frente
por Juliana de Caprio em
O mercado brasileiro de alimentos para animais de companhia segue sendo liderado por marcas nacionais, mesmo diante de um cenário altamente fragmentado. Levantamento da Yummypets, empresa do grupo Symrise AG, indica que, no país, fabricantes locais concentram a preferência dos tutores e superam, em conjunto, qualquer marca individual de ração seca para cães.
Realizada em agosto de 2025 com 3.081 tutores em seis países, a pesquisa analisou a competitividade do setor e reforça uma característica central do Brasil. A força da indústria nacional diante de grandes multinacionais.
No recorte local, o conjunto de pequenas marcas reunidas na categoria “outros” representa a maior fatia do mercado de ração seca para cães. Entre as marcas consolidadas, a Golden, da PremieRpet, lidera com 27% no segmento canino e 24% no felino, consolidando a posição da empresa como principal player do país.
Alimentos secos reforçam padrão do mercado brasileiro
O protagonismo das marcas nacionais está diretamente ligado ao comportamento de consumo. No Brasil, a alimentação baseada exclusivamente em ração seca é a mais adotada, alcançando 51,9% dos tutores. O dado evidencia um padrão consolidado, sustentado por fatores como praticidade, custo e ampla disponibilidade no varejo.
Esse cenário difere de mercados mais maduros, como os da Europa e da América do Norte, onde predomina a combinação entre alimentos secos e úmidos. Nesses países, o mix alimentar varia de 50,9% na França a 76,7% no Reino Unido, indicando maior diversificação na dieta dos pets.
Segmento de úmidos ainda é concentrado no Brasil
No caso dos alimentos úmidos, o Brasil também apresenta um mercado mais concentrado. No segmento de cães, a liderança é da Pedigree, com 49%, seguida por Dog Chow, com 37%. Entre os gatos, Whiskas, Friskies e Gran Plus ocupam as primeiras posições, com participação entre 42% e 35%.
O comportamento indica que, embora exista diversidade de marcas, a preferência do consumidor brasileiro ainda se concentra em players consolidados, diferentemente de mercados como o Reino Unido, onde há maior equilíbrio competitivo entre marcas.
A alimentação exclusivamente úmida segue com baixa penetração no Brasil e na maioria dos países analisados, ficando abaixo de 5% dos tutores. A principal exceção é o Reino Unido, onde esse índice chega a 10,5%.
Indústria nacional amplia protagonismo
O levantamento também reforça o protagonismo da indústria brasileira no setor. Além da PremieRpet, destacam-se empresas como Guabi Natural e marcas premium como Sabor & Vida e Faro, ampliando a presença nacional em diferentes faixas de valor.
Esse movimento posiciona o Brasil como um dos mercados mais competitivos do mundo em pet food, com forte presença de fabricantes locais e capacidade de disputar espaço com multinacionais.
Embora esse fenômeno também seja observado em países como México e Reino Unido, é no Brasil que ele ganha maior consistência, impulsionado por um mercado interno robusto e pela crescente profissionalização da indústria.
Mercado aponta espaço para evolução do consumo
Os dados indicam que o Brasil combina dois movimentos simultâneos. De um lado, a consolidação de marcas nacionais. De outro, um padrão alimentar ainda concentrado em ração seca. “A combinação entre renda pressionada, maior sensibilidade a preços e competição acirrada, sobretudo nas linhas econômicas, limita uma maior diversidade do mix”, comenta Ariovaldo Zani, CEO da entidade.
Mas esse cenário sugere espaço para evolução do consumo, ainda que em ritmo mais lento. “A maior preocupação com nutrição, saúde e bem-estar dos pets impulsiona a demanda, assim como o advento dos canais digitais, que ampliam o acesso e diversificam a jornada de compra”, complementa.