Oferta de crédito para PMEs do mercado pet se multiplica
Linhas de financiamento para toda a cadeia produtiva têm condições mais vantajosas
por Marcia Arbache em
A vitalidade do mercado pet tem atraído a atenção de instituições bancárias e entidades civis e de fomento quanto à necessidade de apoiar empreendedores. Em toda a cadeia produtiva, especialmente entre pequenos e médios negócios, a oferta de crédito se amplia. Financiamentos em condições mais favoráveis dão suporte à expansão, manutenção e modernização das empresas.
No estado de São Paulo, o Programa Banco do Povo Paulista (BPP) já liberou R$ 3,759 bilhões desde 1998, somando 581 mil operações. “Embora pouco conhecido, estamos disponível em praticamente todo o estado. Diferentemente das linhas tradicionais de financiamento, o programa apoia também empreendedores que não têm CNPJ. O limite de crédito é de até R$ 21 mil por operação”, relata Marcos Wolff, diretor de Políticas de Fomento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE-SP).
Entre 2023 e o início de 2026, o setor pet recebeu R$ 3,512 milhões. O valor liberado no ano passado somou R$ 1,02 milhão e foi destinado a 66 operações. Em 2026, até o momento, dois financiamentos somaram R$ 42 mil. A maior parte dos recursos foi destinada a atividades de higiene e embelezamento animal.

O crédito também pode beneficiar clínicas veterinárias, hospedagem, criadores e fornecedores da cadeia, como fabricantes de acessórios, roupas e brinquedos. Wolff cita o caso do veterinário que usou o limite máximo de R$ 21 mil para adquirir um aparelho de ultrassom. “Antes, era preciso encaminhar o animal a outra clínica para o exame. Com o equipamento próprio, ampliou o atendimento e a receita”, comenta.
O BPP opera em parceria com municípios conveniados, atualmente 560, que mantêm unidades de crédito e atendimento presencial. Para solicitar o financiamento, é necessário ter mais de 18 anos. Os interessados não devem estar negativados e apresentar um plano de uso do recurso vinculado à atividade produtiva. O empreendedor deve comprovar a aplicação no negócio com nota fiscal.
Juros abaixo da inflação
Um dos principais atrativos é a taxa de juros a partir de 0,35% ao mês, cerca de 4,25% ao ano, abaixo da inflação anual. Em caso de dificuldade, o programa permite renegociação. Hoje são três linhas com prazos de 30 a 36 meses e carência de 60 a 90 dias.
Para acessar o crédito, é necessário apresentar certificado de curso de qualificação empreendedora oferecido em parceria com o Sebrae. A capacitação online tem 12h30 de duração e contribui para reduzir inadimplência e melhorar a gestão.
Caixa Econômica tem canal específico para o setor
A Caixa Econômica Federal também prioriza o mercado pet. Desde 2023 mantém atendimento específico para empresas do segmento, com condições diferenciadas, parcerias e uma promoção anual dedicada ao setor. “Definimos um mês específico e, durante esse período, há redução de taxas e condições especiais de contratação”, explica o gerente-executivo Dalton Valle.
Outro pilar é o Programa Parceria Caixa, que oferece vantagens a associados de entidades representativas como Abinpet e Abempet. Empresas vinculadas têm taxas diferenciadas, isenção ou descontos em serviços bancários e melhores condições de financiamento. A instituição avalia ampliar parcerias com entidades do setor veterinário e hospitalar.
Capital de giro lidera demanda
Entre as modalidades mais buscadas está o capital de giro, que oferece flexibilidade na aplicação dos recursos. A linha pode ser usada para pagamento de fornecedores, folha, estoque, melhorias e expansão. Financiamentos para investimento fixo, como aquisição de equipamentos de maior porte para hospitais veterinários, são mais pontuais, mas fazem parte do portfólio disponível.
O atendimento da Caixa contempla desde micro e pequenas empresas até grandes redes e franquias. Os limites são definidos conforme porte e capacidade de pagamento. Embora não divulgue números específicos, a instituição afirma atender milhares de clientes do segmento pet.
Fundo do Sebrae facilita acesso a financiamentos
Empreendedores que têm dificuldade para oferecer garantias contam com o Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe) do Sebrae, que atua como garantidor parcial das operações junto a instituições financeiras. “Não se trata de uma linha, mas de um mecanismo que facilita o acesso de MEIs, micro e pequenas empresas ao crédito”, detalha Reginaldo Oliveira, consultor de negócios do Sebrae/SP.
O fundo atende MEIs com faturamento de até R$ 81 mil, microempresas até R$ 360 mil e empresas de pequeno porte até R$ 4,8 milhões. Em São Paulo, há convênios com cooperativas como Sicoob, Sicredi, Accrédito e Cresol. Após análise, o empreendedor pode ter a garantia de financiamento de até 80% da operação, permanecendo responsável pelo pagamento integral da dívida.
Prazo de carência amplia planejamento
As taxas variam conforme a instituição e o risco de crédito, geralmente entre 1,19% e 1,59% ao mês. Um dos atrativos é a carência, que pode chegar a nove meses para MEIs e até um ano para micro e pequenas empresas. Há taxa de aval aproximada de 0,1%, diluída nas parcelas.
A carência permite organizar o fluxo de caixa e preparar o início do pagamento. Os recursos podem ser usados para capital de giro, investimentos, compra de equipamentos, reforma, marketing ou reforço de estoque.