E-commerce pet obtém faturamento recorde de R$ 6 bilhões
Canal digital consolida protagonismo, amplia presença de pet shops regionais e pode alcançar R$ 7 bilhões se ritmo de expansão for mantido
O e-commerce pet brasileiro entrou de vez na rota das grandes cifras. As vendas online no setor ultrapassaram R$ 6 bilhões em 2025 e mantêm trajetória de crescimento consistente, impulsionadas pela recorrência em categorias essenciais, pela digitalização do consumidor e por estratégias comerciais cada vez mais sofisticadas.
Os dados são da Abempet e apontam que o comércio digital no setor cresceu mais de quatro vezes desde a deflagração da pandemia de Covid-19, em 2020. Na comparação do ano passado com 2024, o crescimento foi de 15,3% – acima da alta de 13% registrada no mesmo período anterior.

O varejo especializado segue na liderança do ambiente digital. Os pet shops exclusivamente virtuais responderam por 37% do faturamento online em 2025, com R$ 2,29 bilhões em vendas. Na sequência aparecem as lojas virtuais das megastores, com R$ 1,98 bilhão (32%). Já as plataformas de pequenos e médios pet shops movimentaram em torno de R$ 1,23 bilhão, equivalente a 21% do total.

“O e-commerce não é apenas um canal complementar para o setor. Trata-se de uma plataforma estratégica essencial na construção de um mercado mais acessível, informado e alinhado com o novo papel dos pets na sociedade brasileira”, reforça José Edson Galvão de França, conselheiro-presidente da associação.
PIX e dados aceleram o ciclo de compras
Consultor especializado em varejo, Francesco Weiss destaca que a introdução do PIX diminuiu a incidência de fraudes, ao garantir mais confiança e estimular a digitalização do consumidor. “A jornada de compra tornou-se mais racional e orientada a dados, com a pesquisa de preços ganhando força por meio de buscadores e comparadores online”, argumenta.
O executivo também aponta a expansão dos planos de saúde animal como novo catalisador. “É um atrativo a mais para tutores que querem investir no bem-estar do pet, além de representar um canal de comunicação mais ativo para o relacionamento entre tutores e varejistas”, pontua. O consultor projeta que, mantido esse fôlego, o faturamento do e-commerce pet tende a superar a marca de R$ 7 bilhões em 2026.
Varejo pet constrói lealdade pela recorrência
A expansão do e-commerce pet também é confirmada por estimativas da Kantar. A diretora de contas Roberta Forte destaca que a comercialização de alimentos secos, úmidos e snacks para cães e gatos fechou o último ano com crescimento em torno de 35% em volume – taxa que dobrou nos últimos dois anos.
Aplicativos e sites de varejistas são os principais beneficiados por essa dinâmica. “Os pet shops que trabalham com programas de desconto por recorrência, frete grátis e preços mais acessíveis para grandes volumes de compra entram de fato na rotina dos consumidores e constroem lealdade”, comenta.
O modelo de assinatura, aliás, é apontado como uma das engrenagens transformadoras do setor. “Por meio de catálogos extensos sem restrições de espaço físico, personalização de ofertas com base no histórico de compras e estratégias de precificação dinâmica, o e-commerce se diferencia do ponto de venda tradicional e amplia sua competitividade”, destaca França, da Abempet.
A diversificação de canais também redesenha o comportamento do tutor. A loja física permanece relevante para compras pontuais, enquanto o online se consolida para abastecimento e aquisição de maior variedade de produtos. “Não só captam o cliente no PDV, mas também no momento em que ele vai para o canal digital”, explica Roberta.