Acordo UE-Mercosul: nova janela para a indústria pet
Redução de tarifas, acesso ao mercado europeu e mais competitividade colocam o setor diante de um novo cenário de internacionalização
por Juliana de Caprio em
Nas últimas semanas, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul voltou ao centro das discussões econômicas globais. Após anos de negociações, ajustes e entraves políticos, o avanço desse tratado representa um potencial divisor de águas para diversos setores e o mercado pet certamente está entre eles.
Mas, afinal, o que esse acordo muda na prática? E como ele pode impactar a competitividade das empresas brasileiras de produtos pet no cenário internacional?
Redução de tarifas e ganho de competitividade
Um dos principais pilares do acordo é a redução e, em alguns casos, a eliminação gradual de tarifas de importação entre os blocos. Hoje, muitos produtos pet brasileiros enfrentam barreiras tarifárias relevantes para entrar na União Europeia, especialmente em categorias como pet food, snacks, produtos de higiene, acessórios e itens de cuidado animal.
Com o novo acordo, a tendência é que essas tarifas sejam reduzidas ao longo dos próximos anos, tornando os produtos brasileiros mais competitivos em preço frente a fabricantes europeus e asiáticos. Para um setor que já vem investindo fortemente em qualidade, inovação, sustentabilidade e adequação regulatória, isso pode ser um impulso estratégico importante.
Do outro lado, o mercado brasileiro também passa a ter maior acesso a produtos europeus, o que aumenta a concorrência, mas também eleva o nível do mercado como um todo, algo que, historicamente, impulsiona inovação e profissionalização.
Oportunidade para quem já está preparado
É importante destacar que o acordo, por si só, não garante sucesso automático nas exportações. A União Europeia gerencia um dos sistemas regulatórios mais rigorosos do mundo, especialmente quando falamos de alimentos para animais, ingredientes, rastreabilidade, bem-estar animal e sustentabilidade.
Porém, muitas indústrias brasileiras já estão alguns passos à frente nesse processo. Empresas que investiram em certificações internacionais, controle de qualidade, inovação em formulações, proteínas alternativas e embalagens sustentáveis largam com vantagem.
Nesse contexto, o acordo pode funcionar como um catalisador: reduz barreiras econômicas e abre portas comerciais para quem já vem fazendo o “dever de casa”.
Interzoo: onde o mercado global se encontra
No que diz respeito ao acesso a novos mercados, é impossível não fazer um paralelo com a Interzoo realizada em Nuremberg (Alemanha). Reconhecida como a principal feira pet do mundo, reúne os maiores players globais do setor, distribuidores, compradores internacionais e tomadores de decisão de mais de 120 países.
Participar da Interzoo não se restringe a expor produtos. Significa entender tendências globais, mapear concorrência, validar posicionamento de marca e, principalmente, gerar negócios internacionais. Em um cenário de maior integração comercial entre Mercosul e União Europeia, a presença brasileira em um evento desse porte torna-se ainda mais estratégica.
APEX e o Programa Mais Feiras: internacionalização ao alcance
Muitas empresas acreditam que participar de uma feira internacional como a Interzoo é algo distante ou financeiramente inviável. E é aqui que entra um ponto fundamental – o Programa Mais Feiras, da APEX Brasil.
Por meio do programa, empresas brasileiras podem ter acesso a estandes subsidiados sem custo de área além de suporte institucional para promoção comercial, rodadas de negócios e posicionamento internacional. Trata-se de uma ferramenta poderosa para indústrias que desejam dar os primeiros passos (ou consolidar presença) no mercado externo.
Menos barreiras, mais estratégia
O acordo cria um cenário mais favorável e também mais competitivo. Premia quem pensa estrategicamente, investe em qualidade, marca, inovação e presença internacional. Para o setor pet brasileiro, o momento é de reflexão e ação – de entender se a empresa está preparada para competir globalmente, se seus produtos atendem aos padrões internacionais e se sua marca está posicionada para dialogar com o mercado europeu.
Eventos como a Interzoo e iniciativas como o Programa Mais Feiras mostram que a internacionalização não é mais um privilégio de poucos, e sim uma oportunidade concreta para quem estiver disposto a se planejar. Estamos prontos para esse novo capítulo do mercado pet global?