Anpetshop prevê integrar mais de 2 mil pet shops em 2026
Entidade que representa pequenas e médias empresas do setor investirá em workshops de capacitação voltados à gestão e ao marketing digital
Vladimir Ribeiro, especial para o Panorama Pet&Vet
Criada em 2022 e com pouco mais de 110 associados até meados do ano passado, a Associação Nacional de Pet Shops (Anpetshop) acelerou seu processo de expansão e agora já integra 430 empresários. Outros 2 mil já estão em fase de cadastramento.
Com a base fortalecida, a entidade investirá em workshops e estratégias de marketing digital para estimular a meta de profissionalizar pequenos e médios varejistas, em meio a uma crescente pressão financeira e recordes de inadimplência.
“A profissionalização envolve o aperfeiçoamento tanto de profissionais que atuam nas rotinas operacionais, entre as quais o serviço de banho e tosa, como quanto de gestores que tocam os negócios no dia a dia”, enfatiza o fundador e presidente Alexandre Gomes.
Plano de ação: capacitação e tecnologia
Ao longo do ano, a associação planeja promover workshops gratuitos sobre uso de tecnologias aplicadas à gestão, com foco em soluções que possam melhorar produtividade, reduzir custos e integrar operações. Os participantes receberão cartilhas com orientações práticas para aplicar as ideias apresentadas nos seus negócios.
Além disso, a Anpetshop firmou parcerias com empresas especializadas para sanar dúvidas e apoiar a implementação de estratégias de marketing digital. “Entre essas parceiras está a PetAoLado, marketplace que conecta tutores, veterinários e PDVs e que dará suporte às vendas online dos pet shops”, adianta.
Mudança de foco na gestão dos pet shops
Na visão de Gomes, uma tendência crucial para pequenos e médios empresários é a migração do foco de produtos. “A atuação das megastores compromete o modelo de negócios puramente baseado em preços. O caminho para os pequenos passa pela oferta agregada de serviços como banho e tosa, hospedagem e atendimento clínico básico, por meio de uma rede de parceiros externos”, exemplifica.
Ele ressalta que esse movimento não deve saturar o mercado, pois cada região apresenta demandas diferentes, exigindo estratégias adaptadas à realidade local. “O que funciona em São Paulo pode ser distinto do que dará certo no interior do Brasil”, observa.
Estratégias para incentivar adesão
Para atrair adesão e construir credibilidade, a Anpetshop adotou, em um primeiro momento, o modelo sem cobrança de mensalidade. A estratégia é consolidar parcerias com fornecedores e prestadores de serviço, para só depois estruturar um sistema de contribuição.
“Hoje o empresário se cadastra sem custo. A ideia é fechar alianças sólidas e, então, de forma transparente, cobrar um valor justo, garantindo que os associados usufruam dos benefícios gerados”, esclarece.
Atualmente, a entidade promove negociações coletivas com fornecedores, fortalecendo o poder de compra de negócios menores, além de estabelecer diálogo com órgãos públicos e acompanhar pautas regulatórias que podem impactar diretamente a atividade.
Visão do mercado e recomendações de especialistas
Para Marco Gioso, CEO da consultoria Vetcoaches e integrante do time de especialistas do Panorama Pet&Vet, o direcionamento da Anpetshop está alinhado à realidade competitiva que se apresentará em 2026. “A profissionalização, o investimento em marketing digital e a adoção de tecnologia deixaram de ser opcionais e passaram a ser infraestrutura básica de sobrevivência para o pequeno e médio varejo”, alerta.
Gioso entende que os principais entraves para muitos empreendedores ainda são a ausência de métodos estruturados, falta de tempo dos donos para gestão estratégica e a cultura do ‘achismo’ em decisões de compras e precificação. A capacitação, segundo ele, aumenta a atratividade dos negócios ao reduzir riscos e ampliar a previsibilidade.
“Muitas lojas não medem margem por categoria ou fornecedor, tampouco o peso de perdas, descontos e ruptura. Para completar, excesso de SKU, giro baixo e compra “por oportunidade” sufocam o caixa”, avalia.
Sobre a transformação para serviços, Gioso ressalta que operações bem estruturadas podem gerar diferenciação local, reduzir a pressão por preços e aumentar a fidelidade do cliente. “Mas serviço sem processo vira gargalo. É essencial investir em padronização, agenda inteligente, treinamento e indicadores de desempenho”, conclui.