União Pet acelera expansão enquanto prepara venda de lojas
Mesmo com imposição de desinvestimento, grupo mantém plano agressivo de crescimento, amplia serviços e desperta corrida entre outras redes
A União Pet, empresa resultante da fusão entre Petz e Cobasi, começa a sair do papel em 2026 com dois movimentos que, à primeira vista, parecem contraditórios. De um lado, iniciou conversações para a venda obrigatória de 26 lojas no estado de São Paulo. De outro, trabalha em um plano consistente de expansão física e de serviços em escala nacional, de acordo com apuração do Pipeline.
Mesmo com o desinvestimento imposto pelo Cade, a companhia projeta crescimento de 10% no faturamento neste ano. Até setembro do ano passado, o grupo já havia alcançado R$ 7,7 bilhões em receita. A expectativa é sustentar esse avanço com novas aberturas, ganho de eficiência operacional e ampliação do portfólio de serviços – especialmente saúde e estética animal.
Menos lojas, mais eficiência e expansão
Como parte das condições do Cade, Petz e Cobasi terão de alienar 26 unidades em São Paulo, o que levou a companhia a revisar suas projeções de sinergia. O potencial de ganhos em cinco anos, inicialmente estimado em até R$ 330 milhões, foi ajustado para até R$ 260 milhões, considerando os custos de fechamento e venda das unidades.
Ainda assim, a previsão é inaugurar 15 novas lojas em 2026, repetindo o desempenho do último ano. Ao final do processo de desinvestimento, a empresa deve operar com cerca de 501 lojas distribuídas em 23 estados e no Distrito Federal, mantendo as marcas Petz e Cobasi separadas no ponto de venda.
Segundo o CEO Paulo Nassar, a estratégia passa por olhar “todo o Brasil” para novas aberturas. A expansão considera municípios a partir de 90 mil habitantes, com variações conforme a região e o potencial de consumo local. “Vemos uma proposta de valor muito própria em cada bandeira”, afirmou o executivo.
Além das lojas físicas, a integração das operações abre espaço para escalar serviços que já mostraram tração. Um dos principais focos é o plano de saúde Seres, da Petz, atualmente restrito à base de clientes de São Paulo. A meta é expandir a oferta para os cerca de 8 milhões de clientes em todo o país. Hoje, o Seres conta com uma rede de 15 hospitais e 180 clínicas e consultórios credenciados.
O mesmo racional vale para os serviços de estética, presentes em aproximadamente 300 lojas. A padronização e a ampliação desses serviços são vistas como alavancas relevantes de margem e fidelização em um mercado cada vez mais competitivo.
Corrida pelos ativos: quem quer comprar as lojas?
A venda das lojas da União Pet tornou-se uma oportunidade estratégica rara. As unidades, concentradas em regiões relevantes de São Paulo, despertaram o interesse imediato de grandes players do varejo pet.
O Panorama Pet&Vet apurou com exclusividade que a Popular Pet, uma das cinco maiores redes do país, protocolou oficialmente sua manifestação de interesse na compra dos ativos. O movimento coloca a companhia na mesma mesa de negociação de concorrentes como PetCamp e Petlove, que também já sinalizaram disposição para avançar no processo.
Para Guilherme D’Angelo, CEO e fundador da rede, a possível aquisição antecipa um plano de expansão já desenhado. “A Popular Pet nasceu há cinco anos com o objetivo de se tornar a maior rede de pet shops do Brasil. Temos crescido mais de 70% ao ano, e a eventual aquisição dessas lojas acelera nossa entrada na cidade de São Paulo e em outras regiões estratégicas”, afirma.
Fundada em 2021, em São José dos Campos (SP), a Popular Pet conta hoje com 30 lojas próprias, concentradas no Vale do Paraíba, além de um centro de distribuição com mais de 3 mil m² que sustenta a operação física e digital.
Outro candidato de peso é a PetCamp. Fundada em 1985, em Campinas (SP), a companhia enviou carta às envolvidas antes mesmo do julgamento final do Cade, afirmando estar pronta para iniciar diligências e negociações “imediatamente”. Ao fim do terceiro trimestre, a PetCamp contava com 107 unidades em 53 cidades paulistas e uma em Uberaba (MG).
Já a Petlove surge como candidata natural pelo porte e pela força no digital. A empresa oficializou interesse ainda antes de saber o tamanho final do desinvestimento. Com estratégia omnicanal consolidada, a Petlove argumenta ter atuação nacional relevante e faturamento significativamente superior ao de redes físicas tradicionais.
Implicações para o pequeno e médio varejo
Para Diego Dahas, presidente da Andipet, a estratégia inicial da União Pet tende a ser agressiva. “A primeira movimentação deve ser pressionar a indústria por condições diferenciadas e fomentar uma guerra de preços. Quem sofre diretamente são os pequenos e médios varejistas, atendidos pelas distribuidoras e que não têm estrutura para competir nesse patamar”, avalia.
Para Ricardo de Oliveira, diretor de expansão da Bable Pet e mentor de empresas, o impacto mais severo da guerra de preços deve se concentrar no ambiente digital. “Mas se o pequeno não investir em experiência, nichos e diferenciação, a exemplo do que está almejando a União Pet, a disputa ficará restrita ao preço e, nesse campo, ele tende a perder”, acredita.