Redes sociais redesenham disputa de gigantes do varejo pet
Estudo analisa mudanças no engajamento digital de quatro redes no intervalo de um ano
Um ano faz muita diferença quando o assunto é presença digital no varejo pet. Dados atualizados da consultoria Zeeng, plataforma especializada em monitoramento de marcas no ambiente online, mostram como Petz, Cobasi, Petlove e Petland Brasil reposicionaram – ou não – suas estratégias nas redes sociais entre 2025 e janeiro de 2026.
Se no levantamento publicado no ano passado a Cobasi liderava com folga em engajamento, agora o cenário revela uma virada silenciosa da Petlove. A Petz ampliou alcance, mas segue enfrentando desafios de performance qualitativa. Já a Petland permanece como um player periférico no jogo digital.
“Quando olhamos apenas para número de seguidores, a leitura pode ser enganosa. O que o escore busca capturar é a combinação entre frequência, engajamento real e presença orgânica na mídia”, explica Eduardo Prange, CEO da Zeeng.
Engajamento: da liderança de uma rede à ascensão de outra
No estudo de 2025, a Cobasi aparecia no topo do ranking da Zeeng, com escore de 7,52, sustentada por forte presença no Instagram e no YouTube. A Petlove vinha em segundo lugar (5,62), seguida por Petz (4,55) e Petland Brasil (3,31). A pontuação é de zero a dez, considerando tanto notícias espontâneas como postagens veiculadas pelas empresas em seus canais.
Em janeiro de 2026, o ranking mudou de mãos e a Petlove assumiu a dianteira. Segundo Prange, a inversão revela um amadurecimento estratégico.
“A Petlove passa a demonstrar maior consistência na entrega de conteúdo alinhado à sua comunidade. Não é apenas volume de postagens, mas clareza de narrativa e estímulo à interação”, afirma.
Escore de engajamento digital no varejo pet
(comparativo jan/25 x jan/26)

Alcance não é tudo: o paradoxo da Petz
A Petz é hoje a marca com maior ativo social agregado, somando cerca de 3 milhões de seguidores em janeiro de 2026, contra 2,7 milhões no levantamento anterior. O crescimento é puxado principalmente pelo Facebook, onde a rede concentra 1,6 milhão de seguidores.
Ainda assim, o escore caiu. O dado expõe um desafio recorrente entre grandes redes físicas. “Marcas muito grandes tendem a escalar audiência mais rápido. Isso, porém, não garante engajamento proporcional. Quando o conteúdo não conversa diretamente com o público, o algoritmo cobra essa conta”, observa Prange.
Ativo social das marcas do varejo pet por canal
(em milhões de seguidores)

Instagram consolida-se como principal arena competitiva
No ano passado, o Instagram já concentrava o maior volume de publicações e interações. Em 2026, essa centralidade se intensificou. A Petlove atingiu 1,7 milhão de seguidores nessa rede, ampliando a vantagem competitiva construída a partir de uma estratégia focada em comunidade, testes de formato e personalização de conteúdo.
“O Instagram é onde as marcas pet conseguem construir vínculo. É ali que o tutor se reconhece, comenta e compartilha experiências. Quem entende isso, tende a performar melhor no médio prazo”, avalia Prange.
Frequência x consistência: quem publica melhor?
Em 2025, as quatro marcas analisadas somaram 120 conteúdos em um mês, com o Instagram liderando com folga. Um ano depois, o volume segue relevante, mas mais distribuído:
- Petz: 33 publicações
- Cobasi: 29 publicações
- Petlove: 25 publicações
- Petland: 11 publicações
O levantamento revela que publicar mais não significa performar melhor. As marcas que entenderam essa dinâmica passaram a priorizar formatos que geram conversa, não apenas visibilidade.