Mercado global de cuidados com pets deve dobrar até 2035
Humanização dos animais impulsiona gastos com alimentação premium, saúde digital e bem-estar
por Juliana de Caprio em
O mercado global de cuidados com animais de estimação caminha para uma década de crescimento acelerado e deve praticamente dobrar de tamanho até 2035. O setor tende a ser impulsionado pela mudança no comportamento dos consumidores, que passam a tratar seus pets como membros da família.
De acordo com um novo relatório da Future Market Insights, o setor deve avançar de US$ 243,5 bilhões (R$ 1.269,9 bilhões) em 2025 para US$ 483,5 bilhões (R$ 2.521,7 bilhões) em 2035, registrando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 7,1%.
A chamada humanização dos animais de estimação é apontada como o principal motor desse movimento. A tendência já havia elevado o faturamento global do setor em 5,9% em 2024 e agora intensifica a demanda por nutrição premium, cuidados preventivos de saúde, suplementos personalizados e produtos voltados ao estilo de vida e bem-estar animal. Alimentos funcionais, acessórios sustentáveis e soluções voltadas à longevidade dos pets ganham espaço no carrinho de compras dos tutores.
Resiliência econômica e avanço da saúde digital
Mesmo em um cenário de pressões inflacionárias globais, o setor demonstra elevada resiliência. Apenas nos Estados Unidos, os gastos com cuidados para animais de estimação devem alcançar US$ 157 bilhões em 2025. Um dos vetores de crescimento mais relevantes identificados pelo estudo é a saúde digital, que avança rapidamente com a consolidação de plataformas de telemedicina veterinária.
Entre os exemplos citados está o serviço “Connect with a Vet”, da Chewy, que atingiu a marca de 1 milhão de teleconsultas. Segundo Mita Malhotra, presidente da companhia, o desempenho reflete o esforço conjunto de veterinários e equipes de tecnologia para oferecer atendimento contínuo aos tutores.
A digitalização também se reflete na expansão de clínicas físicas integradas a plataformas digitais, como o Chewy Vet Care, e em iniciativas de pesquisa em bem-estar, como o programa PAWS, da Mars Petcare.
A integração entre dados, inteligência artificial e modelos preventivos de cuidado está moldando um novo padrão de consumo, com foco em monitoramento contínuo da saúde, recomendações nutricionais personalizadas e maior previsibilidade de demanda.
Alimentos para pets e cães lideram os investimentos
O relatório aponta os alimentos para animais de estimação como o principal segmento do mercado, com 43,2% de participação em 2025. O crescimento é sustentado pela procura por dietas balanceadas, específicas para raças, faixas etárias e necessidades clínicas. Produtos sem grãos, orgânicos e com ingredientes de padrão “human grade” ganham relevância, assim como rótulos limpos e maior transparência sobre a origem dos insumos.
Os cães seguem como o principal grupo consumidor, respondendo por 52,7% do mercado global. A chamada “economia canina” é impulsionada pela alta taxa de adoção, pelo crescimento de influenciadores pet nas redes sociais e pela popularização de soluções tecnológicas, como rastreadores GPS, aplicativos de saúde e produtos de terapia comportamental.
Sustentabilidade e infraestrutura entram no centro da estratégia
A sustentabilidade aparece como um fator decisivo na escolha dos consumidores. Segundo a Future Market Insights, 70% dos tutores já priorizam produtos ambientalmente responsáveis, o que força as empresas a investirem em embalagens recicláveis, rastreabilidade e cadeias de suprimentos mais sustentáveis.
Para atender à demanda crescente, grandes players ampliam investimentos em infraestrutura. A Nestlé Purina, por exemplo, anunciou US$ 195 milhões (R$ 1.017 bilhões) para a expansão de sua fábrica em Jefferson, no estado de Wisconsin, além de US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) em melhorias de capacidade até 2025. Paralelamente, o mercado de seguros para pets ganha tração: na América do Norte, o número de animais segurados cresceu 12,2% em 2024, totalizando 7,03 milhões, refletindo maior preocupação com saúde e longevidade.
Dinâmica regional
O estudo destaca diferenças relevantes entre os mercados regionais. A América do Norte mantém a liderança global, com CAGR de 7,3%, apoiada por alta taxa de posse de animais, forte infraestrutura veterinária e ampla adoção de serviços por assinatura. Na Europa, o crescimento médio é de 7,0%, com destaque para Alemanha, Reino Unido, França e Holanda, impulsionados por regulações rigorosas e preferência por produtos naturais.
A Ásia-Pacífico desponta como a região de crescimento mais rápido, com CAGR de 7,4%, puxada pelo aumento da renda disponível na China, Índia e Coreia do Sul. O Japão se destaca no cuidado com pets idosos e produtos premium, enquanto a Índia vive um boom de startups focadas em alimentação animal.
Um mercado em transformação
Após o crescimento acelerado entre 2020 e 2024, impulsionado pela pandemia, o setor entra agora em uma fase de consolidação e sofisticação. Entre 2025 e 2035, a Future Market Insights projeta um ecossistema cada vez mais tecnológico e orientado à sustentabilidade, com dispositivos vestíveis com inteligência artificial, nutrição baseada em DNA e proteínas alternativas, incluindo opções vegetais e cultivadas em laboratório.
Em um mercado altamente competitivo, gigantes como Mars, Nestlé Purina, Hill’s, Spectrum Brands e Blue Buffalo seguem liderando a inovação, enquanto empresas como Freshpet, The Honest Kitchen e Chewy apostam em alimentos minimamente processados e modelos de assinatura. A combinação entre ciência, tecnologia e mudança de comportamento do consumidor deve sustentar o avanço do setor ao longo da próxima década.