Mais de sete em cada dez veterinários são autônomos
Estudo mostra salto da atuação independente, maior especialização e novas demandas dos tutores, refletindo a transformação do mercado pet brasileiro
O mercado pet brasileiro vive uma transformação silenciosa, impulsionada pela mudança no comportamento dos tutores e pela reconfiguração do próprio exercício da medicina veterinária. É o que revela o estudo Radar Vet 2025, desenvolvido pela Comissão de Animais de Companhia do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Comac/Sindan) em parceria com a consultoria H2R.
A pesquisa reuniu testemunhos de 805 entrevistados. Um dos dados que mais chama atenção aponta para o avanço da atuação independente entre médicos veterinários. Atualmente, cerca de 72% dos profissionais atuam como autônomos, uma mudança significativa em relação a 2021, quando esse percentual era de apenas 26%.
Outros 14% são proprietários de clínicas ou hospitais e apenas 14% estão no regime CLT. O fenômeno indica uma nova dinâmica, marcada pela busca por maior autonomia profissional, modelos de atendimento mais flexíveis e pela crescente valorização de serviços personalizados no cuidado com os animais.
Regime de trabalho dos veterinários no país
(mudanças expressivas entre 2021 e 2025)

Para Emílio Salani, vice-presidente executivo do Sindan, a mudança reflete uma evolução estrutural do mercado de saúde animal no Brasil. Segundo ele, a transformação ocorre em paralelo à consolidação do pet como integrante da família e ao aumento da exigência dos tutores por serviços especializados.
“Estamos observando um reposicionamento da medicina veterinária no país. A demanda por atendimento qualificado e personalizado cresce, o que abre espaço para modelos de atuação mais independentes e inovadores”, afirma.
A ascensão do veterinário empreendedor
O Radar Vet 2025 indica que o perfil do médico-veterinário brasileiro está cada vez mais próximo do empreendedor. Em vez de atuar exclusivamente em clínicas ou hospitais estruturados, muitos profissionais passaram a investir em consultórios próprios, atendimento domiciliar e serviços especializados.
O movimento ocorre em um setor que mantém trajetória de crescimento consistente. A indústria veterinária cresceu mais de 10% no ano passado e o faturamento aproximou-se de R$ 12 bilhões. O segmento de animais de companhia vem sendo o principal motor dessa evolução. Há uma década, representava somente 17% do volume de negócios. Hoje já detém 27% de participação.
“Nesse contexto, a atuação autônoma surge como uma forma de aproximar o profissional do tutor e ampliar as oportunidades de atuação”, analisa Marcio Mota, presidente da Associação Nacional dos Médicos Veterinários (ANMV).
Especialização e novos nichos
Outro ponto destacado pelo levantamento é o avanço da especialização na medicina veterinária. Áreas como dermatologia, cardiologia, nutrição animal e comportamento ganham espaço à medida que os tutores buscam diagnósticos mais precisos e tratamentos mais sofisticados.
Principais eixos de especialização dos veterinários

A digitalização também aparece como fator relevante. O uso de redes sociais, plataformas de agendamento e ferramentas de comunicação direta com clientes passou a integrar a rotina de muitos profissionais.
“O médico veterinário deixou de ser apenas um prestador de serviço técnico para assumir um papel mais amplo na cadeia de cuidados com os animais. Ele também precisa dominar gestão, comunicação e relacionamento com o cliente”, contextualiza.