Cade rejeita recurso da Petlove e valida fusão Petz–Cobasi
Com negativa da instituição, termina a fase administrativa do processo e começa a execução das exigências para a consolidação da fusão
Com negativa da instituição, termina a fase administrativa do processo e começa a execução das exigências para a consolidação da fusão
por Juliana de Caprio em
e atualizado em
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou os embargos de declaração apresentados pela Petlove contra a decisão que aprovou a fusão entre as redes Petz e Cobasi. Com a negativa do recurso, publicada no Diário Oficial da União na última semana, encerra-se a fase recursal administrativa do processo e tem início a execução integral das condições impostas para a consolidação do negócio.
A união entre as duas maiores redes do mercado pet no Brasil havia sido aprovada pelo Tribunal do Cade em dezembro, condicionada à assinatura de um Acordo em Controle de Concentrações (ACC). O compromisso prevê, entre outras medidas, a venda de 26 lojas localizadas no estado de São Paulo e a adoção de remédios comportamentais para mitigar riscos à concorrência, após mais de um ano de análise do órgão antitruste.
A Petlove, terceira maior varejista do setor, recorreu da decisão alegando contradições entre os votos dos conselheiros e o texto do ACC. Segundo a empresa, a redação do acordo permitiria a alienação dos ativos para mais de um comprador, inclusive em momentos distintos, o que, em sua avaliação, poderia enfraquecer a criação de um concorrente efetivo no mercado paulista.
Ao analisar o recurso, o conselheiro-relator José Levi Mello do Amaral Júnior afastou a existência de omissão ou contradição. Em seu voto, destacou que a possibilidade de venda para dois ou mais compradores é apenas uma exceção hipotética, cercada de salvaguardas para preservar a efetividade do remédio concorrencial. O entendimento foi acompanhado, sem divergências, pelos demais membros do tribunal.
O presidente do Cade, conselheiro Gustavo Augusto, afirmou que o julgamento dos embargos encerra a análise do mérito da operação e permite o trânsito em julgado do processo. Ele ressaltou, no entanto, que o caso não será arquivado de imediato, pois ainda depende do cumprimento integral das obrigações previstas no ACC. “Enquanto o desinvestimento não for concluído e o acordo não for inteiramente cumprido, o caso permanece em fase de monitoramento”, explicou.
Com a decisão, a Petlove esgotou as vias administrativas no Cade. Eventual contestação à fusão entre Petz e Cobasi, a partir de agora, só poderá ocorrer na esfera judicial.
A fusão foi oficialmente concluída em janeiro de 2026 e deu origem à União Pet Participações S.A., nova líder do mercado pet brasileiro, que passou a operar sob o ticker AUAU3 na B3. O acordo estabelece a venda de 26 lojas em São Paulo, que representaram cerca de 3,3% do faturamento combinado das companhias nos 12 meses até o terceiro trimestre, em um universo de 125 lojas da Petz e 149 da Cobasi no estado.
Estudante de Jornalismo na Fundação Casper Líbero. colabora na produção diária de notícias e dos conteúdos das seções temáticas
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